A nova matemática.

Street art - Vila Madalena, São Paulo, Brasil.
Street art – Vila Madalena, São Paulo, Brasil.

1+1=3 agora… matemática renovada. E não é a única conta que você vai ter que aprender a refazer.

Não interessa como você aprendeu a contar o tempo. Relógio, sol, lua, estrelas, ampulheta… horas, minutos, segundos. O tempo entre dois aniversários, dois acontecimentos importantes. O tempo entre um telefonema e um encontro. O tempo de uma sessão de análise. O tempo entre dois tweets, dois sms, uma postagem no facebook… Agora, nada disso tem mais serventia e você vai ter que contar em… semanas. Semanas, veja bem. Antes mesmo de um bebê existir dentro da sua barriga, ele já tem duas semanas. Hein? Alguém teve a brilhante idéia de contar o tempo de vida de um bebê durante a gravidez desde o momento em que ocorreu a última menstruação da sua progenitora. E alguém teve a brilhante idéia de determinar, para fins práticos, que a ovulação ocorre cerca de 15 dias depois do início dessa última menstruação. Ou seja, antes mesmo que você ovule, transe e engravide, pelas contas padrão, seu bebê tem duas semanas. Então, os livros começam todos pela terceira semana, que é quando o sujeitinho aconteceu ali, começou a existir. E colocam, para te ajudar, a idade gestacional e a idade real do bebê: a 3 semanas de gestação, bebê tem uma semana… Como assim? E essas tais de semanas, começam quando? No dia da última menstruação? Mas se você não ovulou com a precisão de um Big Ben londrino, em exatos 15 dias e se sua ovulação adiantou ou atrasou, ou se os espermatozóides do seu amorzinho ficaram ali no bem bom, curtindo uma onda, no quentinho, por um ou dois dias (pois é, bichinhos resistentes esses, quem diria!) você conta a partir de quando? Da data da última menstruação, da data calculada como o dia em que você engravidou… qual é a maldita data?

Ainda bem que alguns sites ou aplicativos – sim, eles existem também para grávidas e gravidez, senhores, tremei!!! – ainda bem que hoje em dia você pode colocar a data da última menstruação em algum lugar do cosmos digital e uma matemática programada também qualquer calcula para você em qual semana de gestação você está. Calcula, claro, sabendo que vai dar errado, porque pode ser um pouco mais para lá ou para cá, assim ou assado… enfim, as imprecisões da vida sempre nos atrapalhando quando precisamos acreditar que sabemos alguma coisa, nem que seja um reles número. E o pior é que cada pessoa com quem você falar vai te perguntar há quanto tempo você está grávida? Todos vão te perguntar com a seriedade e a propriedade de um connaisseur… E se você titubear, ou se arriscar responder: faz um mês, dois, um pouco mais de dois… nossa! Melhor acostumar-se a fazer contas, para dar a impressão que você está totalmente integrada em seu novo e agora único papel daquela que conta em semanas, em luas, em ciclos. As pessoas olham com desprezo e desconfiança para uma mãe que não conta em semanas, não fala sobre enjôos e não acaricia a barriga como quem posa para uma fotografia que retrate a imagem da pura felicidade. Horrorizadas com o “seu descaso”, parece que consideram se vão chamar o serviço social, no mínimo. Você engravidou, agora agüenta o baque, minha filha. Volta para a escola e refaça as contas da vida. E na hora da chamada oral, ao invés de responder direitinho quanto é 7×7, saiba dizer de pronto quanto é 1+1. Em semanas.

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