Amamente!

(en français)

Essa é a Semana Mundial da Amamentação. Aqui na França, as mulheres têm uma relação bem estranha com o amamentar e a maioria escolhe não fazê-lo, pelos motivos os mais variados. Acho paradoxal como em um país onde o parto normal é a regra, amamentar seu bebê possa parecer algo tão extraordinário. Parece, para mim, um análogo do que é a cesariana no Brasil, que ganhou uma máscara de escolha da mulher, quando não se trata disso. Amamentar, mais aqui do que aí, parece descolado da maternidade, uma opção em que questões como peitos flácidos e caídos (oi?) ou uma certa repulsa a um ato considerado como mais animal e, por vezes, até degradante para a mulher (!!!) engrossam o caldo cultural que faz com que a maioria, nos cursos de preparação ao longo da gestação, estejam mais interessadas em saber qual mamadeira comprar e qual marca de leite dar. Triste. Tanto que existem campanhas muito fortes de amamentação nas maternidades daqui.

Penso que amamentar faz parte da maternidade. Assim como gestar e parir. São coisas que não deveriam acontecer quando existe um real impedimento para as mesmas. Não são escolhas, ou melhor, são escolhas que são assumidas no exato momento em que aquela mulher decide ter um bebê. Ter um bebê implica certas consequências, como gestar (se não for o caso de uma adoção mas, ainda assim, há um gestar da mãe adotiva também), parir, amamentar. Ou seja, ter um bebê implica um compromisso e uma boa dose de dedicação. Não dá para ter filhos e seguir a vida sem mudar nada. Isso, a meu ver, não é ter filhos. É apenas seguir o “vai da valsa”, como se fosse algo obrigatório a se viver… uma decisão padrão que tem muito de padrão e pouco de decisão. Ou, pior ainda, um gesto de consumo: viajar, comprar casa, apartamento, ter cachorro, ter filhos… tudo na mesma lógica de consumo, tudo no mesmo balaio. Nisso, perde-se o pé e deixa-se de lado o fato de que existe ali um outro, uma pessoa, um ser humano que não é produto de consumo, mas alguém que precisa de cuidado, amor e carinho. Que sentido faz ter filhos sem muita implicação com esse outro que está ali e depende de quem o cria para viver e, mais ainda, para viver com alegria, dignidade e tranquilidade? Que sentido faz ter filhos sem assumir as consequências, as mudanças e as implicações desse ato? Não compreendo essa distorção tão presente em nosso tempo e em nossa cultura. Ou melhor, compreendo que ela é fruto de nossa ideologia de consumo atual. Mas não aceito.

Enfim, tudo isso para dizer que amamentar faz parte do projeto “ter filhos” e que penso que, no Brasil, estamos muito mais conscientes disso do que na França. Ainda bem!

Mas hoje, principalmente, quero deixar vocês com o excelente texto da Ligia do blog Cientista que virou mãe sobre a importância do apoio à amamentação por parte do marido, da família e dos próximos. Mãe parida é mulher que precisa de apoio, reconforto, ajuda e incentivo. Não palpite, crítica e desencorajamento, viu, minha gente? Leiam o texto, vale a pena.

Então, amamentem. E, quem está ao redor, cuide tão bem dessa mãe quanto dessa criança que acaba de chegar. A gente agradece.

*** Em tempo, encontrei recentemente um post antigo da Renata Penna no blog Mamíferas tratando do mesmo assunto, sob perspectiva bem semelhante àquela que discuto aqui. A amamentação como um dever que faz parte do pacote da escolha de ser mãe. Muito bem escrito. Vale a leitura!

2 comentários sobre “Amamente!

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