Terceira parte das dicas de compras…

… para bebês e mamães aqui na França. Depois da intro geral e das roupas, vamos aos móveis e outros objetos do enxoval do bebê.

  • berço: essa é uma discussão mais de fundo, porque a importância do berço tem a ver com como você pretende criar seu bebê, especialmente no começo. Pretende fazer cama compartilhada? Então, um berço é o maior desperdício de dinheiro que você vai ter. Pretende deixar o pequenino dormindo ali do seu lado? Novamente, será um desperdício comprar um berço. Vai ficar pegando poeira, juntamente com tudo o mais do tal quartinho do bebê, que todo mundo diz que a gente tem que fazer mas que, na verdade, serve apenas para nosso exercício de vaidade ou de decoração. Sei que têm muitos pais que tentam e até deixam o bebê no seu próprio quarto desde o início. Mas além de não ser o melhor para o bebê, que fica totalmente desamparado naquele lugar solitário e silencioso, depois de ter passado nove meses aconchegado e quentinho na nossa barriga barulhenta, também não é o melhor para a mãe, especialmente aquela que amamenta e que vai ter que levantar dez mil vezes à noite, andar até o quarto, sentar em uma poltrona para amamentar e depois tentar voltar a dormir antes que o bebê acorde para outra mamada. OK, pode ser bonitinho, mas é zero em praticidade essa história de quarto do bebê. Além do mais, que mãe não fica com sono leve e querendo checar se o bebê está bem? A exaustão dos primeiros meses me fez perceber que cama compartilhada ou berço ao lado da cama, no quarto do casal, são muito mais adaptados para a realidade de ter um recém-nascido. Gastei dinheiro num belo quartinho de bebê todo mobiliado à toa. Penso que esse gasto vai fazer sentido bem mais tarde, quando o pequeno for capaz de dormir sozinho, o que pode levar um bom tempo. E, se forem anos, ele vai passar direto da sua cama para uma cama dele, o que torna o tal berço ainda mais obsoleto.
  • se não for berço e nem cama compartilhada, o que, então? Aqui, usamos muito uma excelente nacelle, aquele moisés de bebê que se usa no carrinho quando ele é recém-nascido e ainda não fica sentado. A nossa era essa aqui, da marca Bébéconfort de que gosto muito. Até agora, foi o que valeu outro investimento inútil e caro, que é o tal carrinho de bebê (falo disso já já). Enfim, a pequena dormiu abrigada e confortável ali até seus 4 meses. Foi MUITO melhor do que tentar colocá-la no berço gigante em que ela ficava perdida, mesmo envolta pela gigoteuse. Fora que melhorou demais para mim também a qualidade do descanso à noite, já que era apenas o caso de tirá-la da nacelle, deitá-la na cama e amamentar deitada, praticamente dormindo. E ainda, no caso de precisar transportá-la de carro, é um moisés adaptado a esse uso. A pequena vai deitada – o que eu particularmente achei bem melhor do que ir sentada, escorregando até virar um tatu-bola, porque bebê pequeno é todo molinho e não consegue se ajeitar naqueles bebês confortos de jeito nenhum. O pescoço vira pro lado, a cabeça cai para a frente e você tem que ficar fazendo mil manobras para o pobrezinho conseguir viajar com o mínimo de conforto. Então, nacelle para dormir e para transportar. Viva!
  • outra opção que achei muito boa e prática foi o que eles chamam de lit de voyage, aqueles berços desmontáveis um pouco menores que um berço comum. Usamos este aqui, da Chicco, que é caro, mas excelente. Fácil de montar e de desmontar, o colchão é muito bom, não daqueles super finos que se encontram normalmente nesses berços. Além disso, ele é mais alto, o que faz diferença especialmente no inverno, quando outros berços portáteis colocam o bebê praticamente encostado no chão. E daí, não tem jeito, o pequeno pega toda a friagem que sobe dali… nada bom isso. De todo modo, é importante ter em conta que esse tipo de berço é para um bebê até cerca de seis meses, ou quando eles aprendem a ficar sentados sozinhos, pois a partir daí, como eles não são muito fundos, ficam perigosos, como as nacelles.
  • mais uma opção, que dura bem mais tempo do que o moisés e o berço de viagem é o que eles chamam de lit parapluie, que também é um berço desmontável, mas justamente daqueles maiores, em que o bebê fica lá no fundo do berço, quase no chão. Se você tem tapete no seu quarto ou algum meio de proteger o rebento da friagem (estou parecendo uma avó com essa história de friagem, né?) ou se seu pequeno nasce no verão, acho que é o melhor investimento a fazer. Melhor que os outros dois porque dura mais tempo, melhor do que um berço comum que vai ficar te aporrinhando num quarto sem uso, esse ao menos pode ficar do lado da sua cama e pode ir para qualquer casa de sogra ou de mãe, quando a família viajar. O melhor que minha filha já usou, justamente em uma dessas andanças em terras brasilis, foi um da marca Burigotto, que não vende aqui, mas vende no Brasil.
  • trocador: a table à langer, a meu ver, não é essencial. Mas também não é um desperdício. A gente acaba trocando o bebê em mil lugares diferentes, na cama, no sofá, no tapete, nas cadeiras do restaurante (não perguntem, por favor…) e fazemos isso mil vezes por dia. O que significa que, para as nossas costas, um trocador na altura adequada é uma MARAVILHA. Então, o que eu diria é que, se der para gastar com isso, vá em frente. Nós usamos esse aqui, da marca Sauthon, que é bem sólida e duradoura em termos de móveis de bebê. Fora que todos se transformam em outra coisa, berço que vira cama, trocador que vira banco, o que ameniza um pouco os gastos, pois serão usados mais tempo.
  • banheira: eu diria que vale o mesmo que para o trocador. É totalmente possível dar banho em um bebê no chuveiro – ainda que eu sempre fique com aquela aflição de que o bichinho vai escorregar – ou mesmo na banheira normal da casa. Mas ter uma banheirinha com pé, que coloca o pequeno naquela altura ótima para poupar seu lombo combalido de um milhão de “abaixa-levanta” diários é bem, bem bom.
  • carrinho de bebê: de novo, merece discussão. O carrinho aqui tem enfeitado a sala, depois que parou de servir como berço para a pequena. Nada mais. Eu não uso o carrinho para transportar minha filha. Por quê? Primeiro, porque Paris é uma péssima cidade para grávidas e mães de bebês de colo. Tem escada demais e gente solidária de menos. O pior pesadelo de uma mãe é ter que carregar bebê e carrinho nas intermináveis escadarias do metrô parisiense e a maior parte das estações não possuem elevador. O que eu faço, então? Portagem. Além de resolver problemas práticos como esse, penso que é a melhor maneira de transportar um bebê. Lugar de bebê, como já disse anteriormente, é no colo. Bebê precisa do contato com a mãe, do calor, do cheiro, do coração batendo. E a mãe precisa ter uma certa mobilidade para transportar seu rebento. Nossas antepassadas e nossas atuais latinas, asiáticas e africanas sabem das coisas: bebê no colo é mais tranquilo, tem menos cólica, chora bem menos e mais um monte de benefícios que eu, entre outras pessoas, já enumerei. Fora que é tão mais prático.
  • então, se for se aventurar no maravilhoso mundo da portagem, aqui nos adaptamos muito bem ao sling de pano e não muito ao sling de argola. A pequena se adaptou bem também ao canguru, mas vale lembrar que, se for investir em um deles, verifique sempre se é ergonômico, fisiológico, ou seja, se permite ao bebê ser carregado na posição correta, que é com os joelhos na altura dos quadris. No quesito écharpe de portage, recomendo os wrap slings super bem feitos da Storchenwiege, uma marca alemã excelente, resistente e duradoura, ou os bem fresquinhos da Fil’Up francesa. Esses últimos cedem um pouco no tecido, mas são bem confortáveis para o verão, quando um tecido muito grosso pode incomodar um tanto, fazendo mãe e bebê transpirarem em bicas. No caso da opção ser o canguru, a melhor opção que encontrei foi a Ergobaby. Bebê fica ótima ali dentro… e descobri noutro dia que até a Gisele usa…
  • mamadeiras e chupetas: aqui nem é caso de ser necessário ou inútil, mas sim caso de comprar algo que é contraproducente e joga contra você. Meu conselho mais sincero, se você pretende amamentar, é NÃO, NÃO e NÃO. Eu ganhei de presente e nunca usei. E concordo com quem diz que ter essas porcarias em casa só serve para te desanimar e te deixar mais insegura quanto à sua real capacidade de alimentar o seu filho. Eu cheguei até a comprar uma lata de leite em pó, por orientação de uma pediatra que não entende nada de amamentação. Guardo a dita cuja junto com mamadeiras e chupetas, tudo fechado, como um troféu e dou uma olhada nelas sempre que preciso reunir forças para fazer frente a esse mundo desinformado que insiste em afirmar que não faz diferença dar leite materno ou em pó para um bebê. Faz. E enfiar uma chupeta no meio disso tudo ainda ajuda mais a confundir o bebê, que aprende a pegar chupeta e mamadeira e passa a ter mais e mais dificuldade em pegar o seio. Tenho escrito muito sobre isso e indico muitas outras leituras a respeito ao longo do blog e proponho que cada mãe se informe realmente a respeito de mamadeiras e chupetas antes de tomar uma decisão. E, te garanto que se você precisar mesmo, mesmo, mesmo de mamadeira e leite em pó, pode mandar o maridão em qualquer farmácia que ele encontra. Na França, mamadeiras e leite em pó ficam expostos nas vitrines das farmácias, então, nenhuma dúvida de que o lobby da indústria do leite em pó vai muito bem por aqui, obrigada e que seu rebento não vai passar fome. E quanto à chupeta, melhor ler ao menos isso aqui antes de decidir.

Sigo com as dicas de um pouco de tudo no próximo post, para finalizar, ok?

8 comentários sobre “Terceira parte das dicas de compras…

  1. Sua postagem me fez refletir sobre coisas que uma mãe de primeira viagem tem como verdades absolutas… Mesmo sendo sua experiência pessoal, e cada uma de nós tem a sua, é muito bom saber e comparar com outras opiniões! Está sendo muito útil!
    Um beijo e bom domingo pra vc e sua família!!!!

    1. Obrigada, Kelly. Verdade, cada post de dicas sobre o que comprar para o bebê é pessoal e subjetivo. Mas acho que é legal a gente parar para pensar que até nessas decisões do que comprar, estamos nos posicionando frente à maternidade e ao modo como queremos criar nossos filhos, né? Não existe um caminho único e isso se traduz no modo como decidimos gastar nosso dinheiro na hora de preparar nossa casa para a chegada do bebê. Um abraço e bom domingo para vocês também!

    1. obrigada pela informação, Ricardo. em todo caso, este post é para quem está esperando bebê na França, por isso as dicas fazem referência aos produtos e a como adquiri-los por aqui. um abraço.

  2. Ai ai ai, lá vem a chata da Bruna de volta. Agora a tua nenê está grande, mas você sabia que a maior parte das “nacelles” no carro são super perigosas? Pois é, eu também não sabia na época (há 2,5 anos atrás) e eu também usei, mas vários países proíbem o seu uso, como a Alemanha, por exemplo. Mesmo que eles fiquem feito tatu-bola o mais seguro é mesmo o cosy, não tem jeito…

    Se você(s) quiser(em) mais informações é por aqui: http://www.securange.fr/#!siege-coque-et-nacelle/clzs

    Abraço, Bruna.

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