Estou ficando velha como meu avô

Filhota quebrou um abajur que ficava no seu quarto, puxando pelo fio. Quebrou apenas o pé, que era de cerâmica. Cúpula e lâmpada ficaram intactas. Cara-metade já ia jogando tudo no lixo. Guardei a cúpula e a lâmpada, para o caso de. Cara-metade ficou perplexo. Só não guardei o fio com a engenhoca toda porque me deu preguiça de ir procurar uma ferramenta para arrancar aquilo tudo dali da cerâmica em pedaços. Quem sabe possa quebrar mais a cerâmica e tentar salvar o fio? Bem, talvez não esteja tão velha quanto meu avô, que certamente teria uma solução para isso. E nenhuma preguiça. Do alto dos seus oitenta anos de idade. Consolo-me, tenho ainda uns quarenta pela frente para chegar no nível dele. E então precisarei de um depósito no fundo da casa, como ele tinha, recheado de tralhas que um dia seriam úteis e outras tralhas realmente úteis e ferramentas para todas as necessidades. O pesadelo da minha avó. O paraíso das netas, crianças, com essa caixa de Pandora de achados permanentes. Será que o cara-metade me aguenta salvando tralhas do lixo e com um depósito no fundo da casa? Quem sabe então saberei também consertar o pé do sofá com maestria de marceneiro. E aprenda a usar uma serra sem arriscar deixar para trás todos os dedos.

Filha, preciso te contar umas histórias do seu bisavô. Ele fazia aniversário dois dias depois de você. E aposto que estaria rindo à toa agora, vendo essa pequena leoazinha zanzar pela casa puxando fios e abrindo gavetas.

6 comentários sobre “Estou ficando velha como meu avô

  1. Vixi!!! Eita fasezinha perigosa!!
    Quando aos bi-vôs, acho sempre deverão ser apresentados aos pequenos, mesmo não estando mais aqui, sendo colocados somente com o que possuíam de melhor para nós – mesmo que não fossem de todo bons.
    Bjs

  2. Me lembrou meu avô, que morava numa ilha com minha avó! Faleceu tem pouco mais de um ano, e guardava tralhas intermináveis no seu “barracão”. Vovó quis desmontar tudo sozinha depois que ele morreu, e surpresa nos contou que lá dentro tinham 4 mesas e 2 geladeiras, uma infinidade de pregos, porcas, parafusos, alguns liqüidificadores até… tudo sem funcionar é claro… Mas era pra caso de um dia precisar de alguma peça que estivesse ali!
    Bateu uma saudade do meu vô.
    Uma saudade porque ele se foi antes de eu engravidar, e nem essa notícia tive a chance de dar pra ele, que me chamava de “minha bonita”.
    Não era meu avô de sangue, mas era meu avô e o sempre será!
    Uma pena ele não estar aqui quando meus filhos nascerem.
    Obrigada por esse post. Me fez bem.
    Me fez relembrar alguns momentos maravilhosos da minha vida!
    😉

    1. Caroline,

      Obrigada por sua mensagem. Adorei o “barracão” do seu avô, muito parecido com o do meu, um baú de tesouros. Sabe que uma das tristezas que tive quando engravidei foi pensar que meus avós não conheceriam minha filha? Isso dói mesmo, mas ao menos as histórias engraçadas, as memórias e as fotos, nossos pequenos terão. Abraço grande, Alessandra.

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