O peito e o peito

Conheço ao menos três pessoas que detestaram amamentar. Quero dizer, ao menos três pessoas que detestaram amamentar e assumiram isso em voz alta. Uma delas dizia que aguentou até seis meses porque era importante e parou em seguida. Outra teve vários problemas, como ingurgitamentos, feridas e mastite e dizia que só conseguiu começar a ter uma boa relação com a filha quando abandonou a amamentação. E a terceira dizia que se sentia sugada, vampirizada pela filha, começou com a mamadeira à noite e acabou parando de amamentar pouco depois.

Estamos na Semana Mundial do Aleitamento Materno e, como em todos os anos anteriores, vejo uma série de propagandas e de ações buscando incentivar o aleitamento, apoiar as mulheres que o fazem, além de auxiliar com as dificuldades que possam encontrar as que queiram fazê-lo. Tudo extremamente pertinente e necessário se considerarmos que, no Brasil, as mulheres amamentam pouquíssimo tempo (uma média de 54 dias apenas), que são mal orientadas por médicos e profissionais de saúde, tendo informações desencontradas sobre como proceder caso encontrem dificuldades (muitas vezes a solução para qualquer problema é a sugestão do uso da mamadeira e do leite artificial) e, ainda, tendo em vista a falta de apoio que encontram nas pessoas próximas, na família, nos amigos e na sociedade em geral (mulheres sendo impedidas de amamentar em espaços públicos é apenas um dos péssimos exemplos dessa falta de suporte e acolhimento).

Na França, a coisa é ainda pior e esse é um dos países mais fracassados em termos de aleitamento materno. Nessa semana mundial do aleitamento, eles estão procurando depoimentos de mães que amamentaram mais do que uns poucos dias, para dar uma idéia da precariedade da coisa. As mulheres simplesmente não amamentam e isso não parece ser uma questão para ninguém. Os bebês saem da maternidade com chupeta, mamadeira e leite em pó, os pediatras e outros profissionais de saúde prescrevem o uso do leite artificial a qualquer época e frente a qualquer dificuldade das mães. Leite em pó que, por sua vez, fica na vitrine de qualquer farmácia e em lugar de destaque nos supermercados. Mesmo durante a gravidez, as mulheres aqui se mostram mais preocupadas em saber qual leite comprar e como preparar uma mamadeira nos cursos de preparação para o parto do que em saber como poderiam amamentar. A situação é tão precária que, apenas como exemplo, nesses onze meses de maternidade, frequentando outras mães e lugares repletos de mães e de bebês, deparei-me com apenas 5 outras mulheres amamentando. 5. Em um ano. Eles não têm problema com mulheres amamentando nos espaços públicos porque, simplesmente, ninguém amamenta. Noutro dia, em uma loja, uma mãe com um bebezinho de dois meses ficou extremamente emocionada de me ver amamentando minha filha e comentou com o pai dela. Depois veio falar comigo e me parabenizar e dizer o quanto estava feliz de encontrar outra mulher que, como ela, amamentava seu filho. Quase chorei. Entendo muito bem esse estado de solidão e de isolamento do qual ela falava, onde não se encontra nenhum semelhante, nenhum modelo, nenhuma companhia para trocar experiências. Triste.

A questão é que nesse mundo do aleitamento materno nunca ouço ninguém falar ou escrever sobre as dificuldades “psicológicas” em amamentar. As mulheres podem encontrar muitos obstáculos nessa experiência, vindo dos outros, do meio em que vivem, da relação com o bebê, da pega… enfim, obstáculos físicos, fisiológicos, sociais, interpessoais. Mas ninguém fala dos obstáculos dentro dela mesma e de tudo aquilo que temos que elaborar em nossas cabeças fumegantes para amamentar nossos filhos.

Primeiro: amamentar não é natural. Ou melhor, não é normal. No sentido de norma, daquilo que é entendido como norma, como regra, como o modo das coisas serem. Já foi assim, mas não é mais há umas boas décadas, desde que inventaram que dar mamadeira com um outro leite que não o nosso seria melhor ou, no mínimo, igual a amamentar. Bela balela fácil de ser desconstruída porque se trata disso mesmo, de uma construção, de uma invenção que atende aos interesses de muitas pessoas, dos fabricantes das mamadeiras à indústria do leite em pó. Mas que desconsideram descaradamente as necessidades do bebê, levando um monte de mulheres de várias gerações e lugares a acreditarem que “não faz diferença” e que “podem escolher”. Sim, podemos escolher. Mas, sim, faz diferença. Escolher amamentar ou dar mamadeira são opções diferentes. Não levam ao mesmo.

A amamentação desnaturalizada e equiparada a todas essas soluções outras foi se tornando optativa, desaparecendo da vista das pessoas, do campo social. Ao mesmo tempo que os discursos que falam da liberdade da mulher em relação ao seu próprio corpo chegaram para dizer que essa liberdade envolvia também seus peitos e o uso que faria deles. Nada mais justo, não?

Pois é, mas aí é que eu penso que existe uma pegadinha nessa história ou – como diria o bom e velho Freud – um ato falho, uma negação, quem sabe até uma recusa radical. Nessa construção recente sobre o amamentar e a sua anormalidade, o que ficou de fora foi o seu caráter erótico, sexual, ligado ao prazer. Ou seja: não é natural e é sexual. Putz!

Não, não precisa arrepiar os cabelos. Sexual, para Freud e para a psicanálise, é basicamente tudo o que move em direção à vida e não tem necessariamente como finalidade o ato sexual em si. Aliás, o ato sexual em si é uma mínima parcela do que seja a sexualidade humana, sem a qual não haveriam invenções, arte, ciência, civilização… Recomendo mesmo o velho Freud, é esclarecedor sobre o que seja a sexualidade que move o humano. Enfim. O que penso que fica negado nesse modo como a amamentação é percebida por nós nos tempos de hoje é justamente isso: que ela é um ato de prazer. Para a mãe e para o bebê.

O próprio Freud já dizia – sim, ele, de novo – que para o ser humano, nem o mais simples e básico ato de alimentar-se era executado apenas como uma necessidade. Bastava o humano estar cercado de outros humanos para que esse ato fosse envolvido de toda uma carga para além da necessidade pura e simples. Mesmo o bebezinho mamando vive muito mais do que saciar o incômodo que seu estômago vazio provoca. Ele vive o calor do corpo da mãe, os cheiros, o aconchego, a sensação de conforto e de proteção. Tantas outras sutilezas que vão junto com o leite para a boca e que fazem com que esse ato tão simples de alimentar-se torne-se um ato humano por natureza, complexo e ligado à experiência do prazer. Sexual, portanto.

Do outro lado desse encontro está a mãe, uma mulher que, a essa altura, já traz consigo uma infinidade de marcas do que seja para ela a experiência do prazer. Seu corpo e sua mente guardam a memória do que viveu, do que sentiu, das realizações e dos sofrimentos que deram a ela um sentido pessoal e intransferível para aquilo que vive como prazeroso, sexual. Em algum ponto de sua experiência, seus peitos foram investidos de algum modo como fonte de prazer: ou pelo social que coloca nas mulheres essa marca dos seios como atrativo ao olhar masculino, ou como zona erógena geradora de sensações prazerosas… enfim… Essa mulher que se torna mãe tem alguma história anterior à maternidade com seus peitos e eles ocupam algum lugar em seu imaginário como mulher, como zona erógena, como fonte de prazer e por aí vai.

Então o bebê nasce e essa mulher se vê, subitamente, arrancada de todos esses sentidos e de todas essas marcas que seus peitos tinham para ela e para os outros e lançada em uma via única, restritiva e oprimente: peito = leite, mulher = mamífera. E essa desvinculação do peito com o prazer é feita de forma tão abrupta e violenta e esse sentido único do peito como alimento é tão aprisionador que não é de se espantar que muitas mulheres – a maioria mesmo – reaja a tal imposição com uma recusa ainda mais violenta. Detestam amamentar, adoecem, os peitos adoecem, se ferem, sangram, elas ficam sugadas, despossuídas de si. A amamentação fracassa, elas partem para outra, os peitos retornam ao seu “devido lugar” e todos respiram aliviados. Será?

Quando digo que maternidade é tsunami e que revira a vida da gente do avesso, penso que isso se dá repetidas vezes, frente a inúmeras facetas do ser mãe. Amamentar pode ser uma delas e pode ser extremamente perturbador. E talvez esse fator, esse espanto, esse incômodo profundo, essa despossessão de si que pode ser vivida como terror quando se amamenta seja uma fonte importante de muitas dificuldades na amamentação que vem sendo negligenciada.

E aí é que está o mais profundo dessa pegadinha, a meu ver: ninguém fala disso, dessas dificuldades, desse terror porque ninguém quer mexer no vespeiro de ter que assumir que quando nos tornamos mães, não nos tornamos um bicho outro que aquele que já éramos. Ao contrário do que impõe nossa moral judaico-cristã, segundo a qual a maternidade só pode se dar em meio ao sofrimento e à dor, não é toda a verdade que as experiências da maternidade sejam apenas devoção sacrifício e entrega. Não é toda a verdade que nos tornamos mãe e nos deixamos de nós mesmas e nos doamos ao outro, nosso bebê. Não é verdade que nossos corpos erógenos e eróticos se tornam insensíveis com o parto e a maternidade. Somos jogadas na obrigação do natural – que nem existe – como se ele fosse sinônimo de a-sexual e de insensível, somos lançadas na obrigação de ter peitos que alimentam e apenas alimentam, somos empurradas para a equivalência mãe = sofrimento = sacrifício. E no dia-a-dia com nossos bebês, vemos que não é bem isso. Nem para eles, nem para nós. Nossos peitos, por exemplo: eles continuam erógenos e eróticos. E o que parece que perturba demais uma grande parte de nós, mulheres, é justamente nos darmos conta disso.

Penso que é justamente quando nos damos conta de que o parto não foi apenas sofrimento, mas foi bom. Ou que amamentar não é apenas doação e superação de obstáculos, mas que é gostoso. Talvez seja exatamente nessa constatação do prazer que muitas de nós encontremos tanta dificuldade, associando esse prazer com algo impróprio e ilegítimo. Como nos fizeram acreditar há um bom tempo. Acreditamos que ser mãe é sacrifício e que só é legítimo quando sofremos um bocado com cada aspecto da maternidade. Estamos aqui o tempo todo a falar disso, de tudo o que é difícil. Mas será que essa insistência no sofrimento e na dificuldade não servem, também, para mascarar isso que percebemos a cada vez que nossos bebês mamam, ou seja, que é um ato de prazer? Ou que é, no mínimo, ambíguo? Amor é prazer. Ou não?

Nós humanos temos uma série de tabus em relação ao prazer e penso que um dos mais intocáveis é este que envolve aquilo que podemos experimentar de bom naquilo que doamos de nós aos nossos filhos. Amamentar pode ser também prazeroso para a mãe e para o bebê. E isso é legítimo.

Outros textos sobre o tema: aqui.

13 comentários sobre “O peito e o peito

  1. Esse foi um dos posts mais sensatos sobre amamentação dos quais eu já li. Incluindo hipersexualização das mamas e amamentando com prazer. Se existe parto orgasmico, porque amamentar não seria um prazer, envolve tantos hormônios e tantos sentimentos que não vejo como tudo isso não esteja entrelaçado.
    Nem tão à Marte e nem tão à Vénus em relação à sexualização, mas ali no caminho do meio.
    Minha avó, filha de Índia, sempre me conta que amamentou porque adorava, e porque achava tudo aquilo a coisa mais natural e simples de se fazer afinal, o peito já estava ali pronto, amamentou minha mãe e mais um vizinho cuja mãe tinha morrido, e depois amamentou minha tia, tudo isso durante um bom tempo, porque segundo ela, até o bebê se sentar sozinho não precisa de mais nada sem ser o peito. E minha avó até hoje é uma daquelas pessoas que adora quebrar um tabu na nossa cara, ignorando a sociedade, uma coisa meio Dercy Gonçalves de se ver.
    Já minha mãe, não me amamentou porque não quis, e não tem problemas em falar sobre isso, afinal, não gostar de amamentar é mais aceito por aqui do que gostar. Bem como minha tia não amamentou nenhuma das duas filhas.
    Fico triste por elas e por nós filhas que tivemos uma relação de afetividade e prazer ligadas primeiramente à Nestle do que às nossas mães.
    Ja eu aqui, grávida de gemeos, um dia comentei em família que amamentaria em livre demanda o tempo que fosse necessário, logo vi quatro olhos se virarem pra mim com horror, mas dois olharam com ternura, e a dona desses olhos simplesmente disse: é Carol, imagina só… Pega a mamadeira, monta a mamadeira, esquenta a água, prepara o leite, espera esfriar, enquanto isso os bebês estão chorando loucamente morrendo de fome do leite e de atenção, no peito não, ele ta lá, pronto, quentinho, só sentar no chão, com um de cada lado e ficar ali até todo mundo ficar bem.

    Nessas horas que eu penso, minha vó, é uma sábia e eu sou muito prolixa!

    1. Caroline, prolixa nada, seu comentário é maravilhoso. Somos de uma geração cujas mães, tias e afins não amamentaram e nem pariram seus filhos, temos uma referência muito distante do que seja tudo isso. E ainda temos que lidar em nós mesmas com todas essas contradições e todas essas intensidades que temos quando o assunto é prazer: não sei se tem alguém que seja bem resolvido com isso. Por isso, acho ainda mais digno de admiração e de apoio que queiramos amamentar e que o façamos. É uma conversa constante com nós mesmas, com nossas referências e nossas histórias. Mas funciona! Parabéns por sua intenção e estou aqui de dedos cruzados, na torcida por esse trio. Abraço grande em você e na sua avó (adoro avós, elas sabem uma porção de coisas), Alessandra.

  2. Sim, Alê!!!! Amamentar é fisicamente gostoso!! Da prazer – e não é só o emocional, de saber que estamos fazendo o certo! Prazer pra mãe e pro bebê, aliás! Cecília até vira os olhinhos, de tão gostoso que é pra ela!! E eu adoro quando tô com o peito cheião e ela vem esvaziar, ô sensação gostosa!!!
    #prontofalei, danem-se os tabus! Hehehe

  3. Perfeito seu texto, as usual! Amamentar realmente pra mim foi mais complicado que parir! Meu problema de mamilo minúsculo e curto, simplesmente foi ignorado pela pediatra do Thomas e nunca abordado durante meu pré natal. Já falei e repito que se não tivesse sido as mamadeiras na semi intensiva e a ajuda de uma enfermeira de lá, pra me ensinar a amamentar, talvez o destino do Thomas tivesse sido outro. Tive infinitos problemas de ordem física mesmo, o que culminaram num stress tão grande (vendo agora, longe dos hormônios), que vi que minha ansiedade em conseguir amamentar ele, fez com que minha produção nunca fosse tão alta, além claro, da meleca do contato pele a pele que não rolava, simplesmente pq eu não tenho o tal do bico…
    Falta muita informação por aqui, mesmo sendo atendida por equipe humanizada e pró amamentação, nunca esqueço do comentário da pediatra do Thomas, no dia seguinte em que ela o foi visitar, vendo ele desesperado tentando pegar meu peito: “ah, que mamilo curto que nada, ele vai conseguir”. Resultado? bebê desidratado, com icterícia nas alturas. Me senti absolutamente negligenciada e vendo isso hj me dá uma raiva do inferno, porque bastava ela ter me dito pra comprar o bico de silicone, que meu filho não teria passado por nada do que passou…
    De qualquer modo, serve de aprendizado. Hoje faria TUDO diferente e espero ter a possibilidade de fazer isso num segundinho!
    E amamentar é MUITO bom. Eu AMEI! Adorava a sensação de sentir meu peito funcionando como uma fabriquinha de leite, sentia o Thomas sugar e ver a boca dele cheia de leite, depois caindo de sono! Não tinha sensação melhor!
    Bjussss

    1. Pois é, Carol, dá uma revolta imensa quando percebemos que boa parte das dificuldades que enfrentamos ao amamentar têm a ver com má-informação, desinformação e falta de apoio e de empatia, né? Porque é difícil demais ter que fazer uma batalha campal para ter uma gravidez e um parto decentes e, em seguida, quando achamos que podemos descansar um pouco e curtir, descobrirmos que ainda existem batalhas importantes pela frente, gigantes, como a da amamentação. Pelo menos, nesse caso, como é algo de longo prazo, que pode durar anos, podemos tentar mudar, conforme tenhamos mais informações e consigamos adquirir experiência e confiança. No parto, se houver violência, foi-se. Na amamentação, sempre resta um tempo para continuarmos tentando, para fazermos diferente e para nos reinventarmos junto com os bebês, na tentativa de que funcione. Beijocas, Alê.

  4. Amamentação por aqui foi uma das batalhas travadas quando entrei na maternidade. Elis teve que aprender a mamar e, até lá, foi sangramento, ferida, peito cheio e duro. Mas mesmo assim escolhi a livre demanda e fui muito solicitada durante o primeiro mês. Eram intervalos de meia hora entre uma mamada e outra. Então que na primeira consulta com a pediatra, ficou constatado que a bebê estava com baixo peso e orientou o leite artificial como complemento. Me senti péssima. E estava tão exausta que não tive forças para ir contra essa prescrição e contra a pressão de toda a família em cima de mim, dizendo que minha filha estava passando fome. Então cedi. Acho que esse é um momento de tanta fragilidade que, assim como no parto, ficamos muito vulneráveis, à mercê do diagnóstico dos maus profissionais.
    Enfim. O leite artificial entrou como complemento, mas o peito ficou. Continua servindo de aconchego, calor, carinho. E quando os abelhudos questionam quando eu vou desmamar (ela ainda vai fazer nove meses e já me perguntam sobre o desmame!), respondo “quando ela quiser”. Já não consegui a exclusividade até o sexto mês, então agora também é questão de recuperar o tempo perdido!
    Bjs

    1. Pois é, Naty. Os pediatras adoram dizer que o bebê está com baixo peso, ao invés de avaliarem o estado GERAL de saúde, não apenas essa medida. Aqui, na consulta de um mês, a pediatra chegou ao cúmulo de dizer, literalmente, que a pequena estava ótima, com todos os indicadores de saúde perfeitos, mas que como tinha ganho pouco peso, ela indicava complemento. Ainda indaguei: mas como assim ela está saudável, bem e precisa tomar mamadeira? Ela veio me falar das tabelas, eles morrem de medo de bebês que não seguem as curvas de crescimento e, ao invés de exercerem aquilo para o que estudaram, que é a capacidade de reunir dados e fazer um diagnóstico, preferem se fixar em uma única medida e prescrever estupidamente para não importa qual situação. Preguiça de pensar e medo de assumir responsabilidades, uma pena. Ainda bem que você manteve o peito e que vocês podem compartilhar isso, né? Pois é duro mesmo remar contra a maré. Beijocas, Alessandra.

  5. Oh, Carol, passei parecido…pro problemas alheios à maternidade, eu estava num stress medonho…sem emprego, na casa dos meus pais…não tive orientação nenhum – nem médica nem psicológica sobre isso…quando minha bebê preferiu a mamadeira, aos 5 meses, quando voltei a trabalhar,chorei…agora, 30 anos depois, parece que o contexto é outro, mais esclarecido, ne? Espero que sim…

  6. Ai durante toda a minha gravidez eu pirava com as frases do tipo “ser mãe é padecer no paraíso” e que a entrega materna é um sacrifício. Ai isso me doía da cabeça aos pés. Amamento meu filho, sofri nos dois primeiros meses, mas o fato de saber que era importante pra ele, e que a dor ia passar porque a gente ia aprender como a coisa funcionava foram os pontos que não me deixaram fraquejar (e claro o marido do lado dizendo que eu ia conseguir, todo dia, ele dizia que a gente ia conseguir…). Essa idéia de que ser mãe seria esvanecer de mim mesma, me matava. E acho que essa idéia é o que mais dificulta a maternidade. A nossa liberdade adquirada, nossa autonomia, nosso individualismo foi adquirido num atropelo que esquecemos dessas questões… Porque não é só o nosso corpo depois que você engravida, mas é o bebê que tá ali e é uma outra pessoa, que ainda não pode decidir por si, e você tem que decidir o que é melhor para os dois, mas o que é melhor pra ele também. Uma amiga uma vez discutindo comigo sobre liberdade feminina, chegamos nesse ponto, ao falar de amamentar, ela disse “meu corpo, pô, minhas regras!”, e o bebê? Onde ele entra nesse discurso? Porque as regras mudam, quando toda escolha vai rebater diretamente em quem não tem culpa, e em quem não pode nem ao menos argumentar sobre essa escolha… É muito complicado. E aí além de tudo isso, os congressos de pediatria serem financiados por empresas que fabricam esses leites, me pergunto que diabo que esses médicos estudaram, que se um vendendor chega vendendo um produto que vai de encontro ao que eles estudaram, eles aceitam… É muita coisa a se pensar…

    1. Raisa, seu comentário é muito oportuno. Temos realmente uma idéia da maternidade totalmente tendenciosa e qualquer coisa que saia do estereótipo mãe sofredora e que se sacrifica causa problemas. Mas o contraponto disso é que, hoje em dia, temos um ideal concorrente tão complicado quanto: à mãe sofredora soma-se a obrigação da mulher realizada por completo. Mulher autônoma, independente, que faz o que quer, quando quer, como quer. E nesse ideal não sobre muito espaço para ouvir as necessidades do outro, no caso, do bebê. Por que teria que ser uma oposição: ou somos mães abnegadas que deixamos nossas necessidades e damos tudo ao bebê ou somos mulheres independentes que não renunciamos a nenhum de nossos prazeres por nada nem por ninguém? Abraço grande, Alessandra.

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