Tem horas em que a gente simplesmente não sabe…

… o que fazer, o que dizer, para onde ir. Parece que é assim. Na maternidade e na vida, existem vários momentos em que simplesmente não sabemos.

Não que pudéssemos saber tudo, eis aí uma onipotência que é desconstruída dia a dia quando nos tornamos mães. Isso se ela já não havia sido desfeita antes pela própria vida. Não tem como saber, não tem como controlar. No final, o que podemos é muito pouco. E o cotidiano é o permanente jogo entre esse pouco que podemos e o que tentamos fazer com ele. Para ver se estica, se puxa e se chega até ali.

Escrevo com frequência sobre a saga da amamentação. Porque adoro amamentar. Porque acho importante. Porque percebo que um dos fatores que mais a dificultam é que não pensamos sobre ela, achando que é fácil, natural e que vai acontecer em um passe de mágica. Contando com essa naturalidade e mais um monte de informações desencontradas, quando não errôneas, eis uma boa receita para o bolo desandar na hora em que aparecer o primeiro grão de real nessa idealização cheia de facilidade. Enfim…

Por aqui e por aí, amamentar é um projeto de vida, daqueles que você precisa abraçar e se dedicar com afinco para que dê certo. Para aprender, para que seu filho aprenda, para que aprendam juntos, para que tudo se meta em andamento e funcione. E depois de uns dois meses você se descobre mais leve e apaziguada com a amamentação, alguma coisa entrou nos eixos e passa a caminhar por si. Bebê pede, bebê mama, tudo fica mais fácil. A meta são os seis meses, os seis meses de aleitamento exclusivo, que indicam que vocês venceram o grande desafio e podem celebrar tanta persistência e tanta dedicação. Podem mesmo. Mas não acaba aí.

Se podemos contar com a blogosfera e com uma série de referências e grupos que buscam informar e apoiar mães que querem amamentar sobre como fazer nesses primeiros meses, um silêncio enorme se faz depois disso, com a diversificação alimentar. Como é que fica amamentar depois que o bebê começa a comer outros alimentos?

No começo desses pós seis meses, fica tudo muito parecido com o que era antes, tendo em vista que o pequeno nem percebe que está comendo. Os alimentos vão para a boca como tudo o mais, numa espécie de brincadeira divertida com gostos, texturas e cores. Comida vai para a boca e é engolida eventualmente enquanto que outras coisas não. Ou espera-se que não, né? Porque tem pequenos que adoram engolir um papel aqui, uma folhinha acolá…

Mas passam-se novamente uns dois meses e comer outros alimentos entra em velocidade cruzeiro. E, como tudo mais nesse planeta maternália, basta que algo se estabilize e nos acostumemos a ele para que tudo mude novamente. Putz, não tem linha de chegada não?

Não.

Fato é que são praticamente inexistentes informações sobre como amamentar depois dos primeiros seis. Livre demanda? Continua. A menos que você queira começar a arbitrar sobre algo em que, até então, tinha optado por respeitar ritmo e necessidade do rebento. Mas e quando livre demanda significa bebê comer e mamar em seguida? E quando livre demanda significa bebê não querer comer e querer mamar? E quando significa bebê voltar a querer mamar duas ou três vezes por noite?

Pois é, você achando que quando algo engrena é sempre um movimento de progressão, onde o adquirido permanece e novos desafios surgem. Mas e se o movimento não é progressivo, evolutivo ou qualquer outro adjetivo desinvolvimentista para definir como os bebês deveriam ser? E se têm idas e vindas, retornos inesperados, isso quer dizer que há um problema? Ou é apenas assim, tão incerto como a vida?

Nesses dias, entre hipóteses de salto de desenvolvimento, dentes, angústia de separação ou fracasso na estratégia da diversificação alimentar, me dei conta do quão pouco sabemos sobre como se chega de um lugar a outro. Como é que um bebê come ou dorme a noite inteira sem o uso de técnicas de adestramento, sem imposições que desconsiderem o que ele precisa ou pode?

9 comentários sobre “Tem horas em que a gente simplesmente não sabe…

  1. E aí voltamos a constatação de que cada fase tem sua dificuldade, como vc já escreveu.
    Por aqui, a livre demanda continua. Na verdade, é uma livre demanda quando estamos juntas (ou seja, quando não estou no trabalho). Então mama de manhã quando acorda, mama meio dia depois que almoça e mama a noite, depois da sopa e/ou antes de dormir. E de madrugada.
    Nas nossas noites também parece que estamos “regredindo”. A frequencia do “acorda-mama-dorme-acorda-mama-dorme” está três ou quatro vezes. Estou quase cedendo às técnicas de adestramento… Na última consulta, a pediatra me orientou a não dar a mama, pois eu não conseguiria controlar o quanto ela toma de leite. Que fizesse uma mamadeira menor do que a convencional (por exemplo, se ela toma 180ml, fizesse uma de 90ml) e colocasse menos leite nesse preparo e mais água (uma “mamadeira rala”). A informação foi de que Elis, com seus nove meses, já tem reserva suficiente de gordura pra dormir uma noite inteira e que acordar pra mamar deve ser vício (muito fácil dizer isso quando é o outro quem está vivendo!). “Vício” leia-se apego. Por isso resisti até agora. Talvez dente, talvez angústia da separação, talvez pico de crescimento. Certeza mesmo é o cansaço que eu vou sentir no outro dia…
    Força pra nós!
    Bjs

    1. Pois é, Naty. Mas esses pediatras falam de vício em peito com uma facilidade, né? E essa coisa de precisar controlar quanto o bebê mama? Se o bebê está bem, para que isso? Enfim, são coisas que não nos ajudam muito, ainda mais quando estamos perdidas no meio de um monte de acontecimentos que não entendemos, além do cansaço que vai se acumulando. Força pra gente. Abração, Alê.

      1. Quando a gente tiver um segundo filho, vamos estar escoladas! Esses perrengues acredito que só passamos no primeiro filho. Sendo assim, bora fazer esse segundinho(a) logo pra rir quando nos depararmos com essas dificuldades, que já serão velhas! Marido me mata… hehehehehe
        Bjs

      2. Hahaha, Naty, segundo filho e junto com a preparação para o parto e o pré-natal já começamos um acompanhamento psiquiátrico, né? Já pensou a doidera? Beijocas, Alê.

  2. E eu que ainda tô no comecinho desse pós-6 meses e ja tô toda confusa?! (a questão da alergia ta me tirando o sono agora..) Quero nem ver quando chegar aí onde vcs estão! rs
    Mas, a gente sabe, sempre passa e nos acertamos, né?!
    Força!!
    Beijo

    1. Ai, Gabi, queria saber onde foi que colocaram o manual de funcionamento desses pequenos… alergia? 😛 Judiação. Mas sim, a gente se acerta até a próxima mudança… hehehe. Beijocas, Alê.

  3. Ola.
    Estou passando por uma situação muito dificil, parece que todas as decisões que tomo em prol do meu bebê é vista de maneira negativa. Moro na casa da minha sogra e pra mim está sendo um grande desafio. Apesar das criticas que sofri optei em dar somente o leite materno ate os 6 meses. Só que agora estou comecando a dar outros alimentos como frutinha e legumes e incluir também o mucilon de milho. Com exceção das frutas, o meu bebe não estar aceitando esses alimentos, e esses dias ouvi a tia do meu marido comentar que a culpa era minha porque só dava peito ao meu bebê, e a minha sogra me criticou porque eu não deixei ela dar uma sopa que ela tinha feito para nós adultos tomar, ao meu filho. Eu falei para ela que o motivo de não querer que ele tomasse era por causa do tempera ultilizado. O único tempero que ela usa é esses temperos prontos e que para um bebê o preparo era diferente. Apesar de eu ter explicado sobre os danos que traz a nossa saúde, como pressão alta, colesterol ela ficou com raiva de mim e me deixou falando sozinha. A minha cunhada fala que os filhos dela só mamou até um mês de idade e que nunca ficou doente. Eu estava me sentindo como se fosse de outro mundo, fico feliz em ter encontrado esse blog me identifique bastante.
    A preocupação é, se é normal ele so querer o peito. Estou totalmente perdida quanto a esta nova etapa.
    Beijos.

    1. Tatiana, que situação difícil, né? Olha, até completar o primeiro ano de idade, pelo que pesquisei a respeito, o leite continua sendo a principal alimentação do bebê e todo o resto é apenas complemento. Isso quer dizer que o bebê não precisa comer muito, ele começa a conhecer outros alimentos depois de seis meses. Mas é apenas isso nesse começo: conhecer, brincar, começar a provar. Demora para ele começar a comer e é apenas depois do primeiro ano que a comida fica mais importante que o leite materno na sua alimentação cotidiana. Eu sei que é difícil, porque logo que eles começam a botar outras comidas na boca a gente já fica toda ansiosa querendo que eles adorem, que comam bastante, até para ter uma idéia do quanto eles comem. Afinal, ver o pratinho esvaziar é mais reassegurador do que imaginar se o sujeitinho mamou bem ou não, né? Então, se eu pudesse te dizer uma coisa, te diria apenas que vá oferecendo, continue oferecendo as frutas, os legumes, as papinhas. Se ele aceitar, ótimo, se não tudo bem, deixa para a refeição seguinte. E continue dando o peito sempre que ele pedir, porque é assim mesmo que as coisas caminham. Eu acho que existem idas e vindas nesse processo, é o que contei no post, tem horas em que me filha come, tem horas em que ela aumenta o número de mamadas… vai entender?! Mas o que eu penso é que se apostamos nesse caminho da amamentação e queremos seguir com ele, é importante respeitar esses ritmos dos bebês e ter paciência. É o que tenho feito. Pena que as pessoas que te cercam não conseguem ser mais generosas e cuidadosas contigo e com o bebê. É duro ter que segurar tudo sozinha e defender sua posição sem apoio, né? Te desejo muito boa sorte e muita força. Um abraço, Alessandra

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