Ah, o banheiro…

… um dos melhores amigos das mães de filhos pequenos. Quem nunca correu para se refugiar ali no cubículo sob pretexto de banho, xixi ou cocô que passaram a demorar todo o tempo possível até que as crianças chorem, gritem, coloquem a casa abaixo e o maridão venha dar aquela checada discreta para ver se ainda estamos ali e se demora muito?

O banheiro, melhor rota de fuga, reduto último da sanidade mental cotidiana de cada mulher que precisa de ao menos alguns minutinhos de silêncio e solidão para se recompor, para respirar, para contar até dez. O banheiro como o lugar mais respirável da casa, quem diria?

Banheiro que só não funciona quando estamos sozinhas com as crias. Porque daí, banheiro é de porta aberta, cantando para acalmar choro de um, segurando a boneca da outra, um olho na pasta de dente que ela espreme até esparramar tudo pela pia, outro nos pezinhos equilibrando na banqueta, um ouvido no choro do pequeno, outro no telefone que parece estar tocando, uma mão segura a boneca, outra corre atrás do papel higiênico, do telefone… putz! Banheiro em momentos de dedicação exclusiva é só em último caso, naquele auge da emergência mais emergencial. Isso não inclui banhos nem dentes escovados, esses supérfluos aos quais nenhuma mãe de criança pequena pode se dar mais ao luxo.

A menos que haja outro adulto na casa. Aí sim, banheiro vira refúgio, seu melhor amigo, o lugar para ler aquele email em paz, onde é legítimo fazer o banho de gato cotidiano tornar-se uma chuveirada de meia hora. Deixa o cara metade ralar um pouco. Todo mundo sempre acostumado a apelar para a mãe quando a porca torce o rabo, como se mãe tivesse a solução mágica de todas as dores. E tem. Ou ao menos se vira. Mas tem horas que até a mãe mais xamânica da face da terra precisa de cinco minutinhos de silêncio. Para poder suspirar. Para praguejar. Se perder em devaneios. Lembrar de uma história engraçada de umas férias em 1994 na praia, quando teve que correr de camiseta e calcinha para o meio do corredor do prédio (não perguntem…). Lembrar da avó, pensar na família. Pensar na vida que tinha nessa época, em todas as mudanças que ocorreram desde então. Se perguntar uns dois ou três porquês nostálgicos. Pensar naquela festa maravilhosa de uns anos atrás. E da primeira vez que voltou a pé para casa sozinha de madrugada sem ter medo. Lembrar de tanta coisa que já viveu… E não desejar estar vivendo mais nada daquela vida. Por melhor que tenha sido. Por tanto que a tenha ensinado. Por mais que se saiba que houve ali muito de extraordinário.

Entre um xixi, um email, uma olhada no facebook, a gente se dá conta que não tem criança chorando, nem batendo na porta. Todos dormem? Saíram para dar um  volta? A gente hesita entre tirar um cochilo ali mesmo, tomar um banho longo, passar o dia todo trancafiada, com um pacote de biscoito, uma garrafa de água e um celular com carregador ou, como pesa na consciência de toda mãe preocupada, sair para dar uma olhadinha. Aquela checada básica, sabem?

Um dorme com sua carinha de anjo. Outra lê um livrinho, sentada, costas retas, atenta, contando para si mesma uma história em voz alta. Vozinha de criança cantante. Respiração pesada de bebê dormente. Paz. A gente se dá conta que ali também tem algo  de extraordinário. E que não gostaria de estar noutro lugar.

Mas que a rota de fuga para o banheiro… ah, o banheiro… que alento!

(Prometo para quem achou que esse post era sobre tirar as fraldas das crianças e ensinar a ir ao banheiro que escrevo isso logo mais, ok?)

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