Das dores e das delícias de ser mãe fora do Brasil…

… ou como a comida é cultura.

Sabe quando você está grávida e um monte de gente vem te dizer o que pode ou não comer durante a gravidez? Então, o fato de viver na França e manter contato com o Brasil durante esse período me fez perceber que a grande maioria das indicações e restrições alimentares nesse período são culturais, questão de tradição, hábito. Mas nada se compara ao peso que tem a cultura na alimentação depois que o bebê nasce e quando, finalmente, ele começa a comer outras coisas além do leite materno. Lendo apenas as indicações sobre diversificação alimentar fornecidas em documentos oficiais de um país e do outro, além das orientações dadas pelos médicos dos dois lugares, já dá para ficar de cabelo em pé, sem saber o que fazer. Conclusão? Sei lá, vai vendo:

  • pão: o pão aqui na França é uma coisa sagrada. Franceses não acreditam que pão engorda e vão brigar feio contigo se tentar convencê-los que boa parte das dietas pelo mundo afora tira o pão da alimentação cotidiana. Pão, para eles, é como nosso arroz com feijão, acompanha tudo. Eles comem macarrão com pão, pizza com pão e até feijoada já tentaram comer com pão mas daí eu subi nas tamancas porque era demais! Enfim, pão é a base da alimentação e, mais do que isso, eles fazem pães deliciosos. Portanto, sua criança, desde que começar a comer, vai sempre ganhar um naco de pão para ficar mordendo. Vai ganhar pão quando coçar os dentes. E vai ganhar pão quando estiver resmungando na mesa por qualquer motivo, que seja fome ou não. Pão, meus queridos, muito pão.
  • frutas exóticas, vulgo, manga, banana, melancia… (oi?). Então, nossas frutas são exóticas e então os franceses vão te aconselhar a não dar nada disso pro bebê. Por que arriscar uma reação alérgica por causa de uma fruta que ele quase nunca vai comer, né? É nada, cara pálida, que minha filha come banana, manga e melancia como se não houvesse amanhã e nunca teve reação alérgica nenhuma. A única reação dela foi ficar deprimida porque as bananas aqui não têm gosto de nada e a melancia é mais sem graça do que água. Mas, falando sério, até faz sentido como recomendação, né? É como no Brasil, que te orientam a não dar kiwi pro bebê porque pode dar alergia. Kiwi, essa frutinha esquisita que lembra uma parte pouco atraente do corpo masculino. Pois bem, aqui kiwi é tão comum que antes de eu poder falar “dá alergia, não pode dar pra menina ainda” ela já tinha mastigado, engolido e ainda estava achando graça.
  • maçãs: todo mundo ama. Todo mundo come compota de maçã nesse país, todo mundo faz compota de maçã. Maçã é a banana dos franceses, sabe? Então, lá foi o cara-metade todo pimpão oferecer uma maçãzinha pra nossa filhota. Hehehe, ela prefere banana.
  • queijos: putz! Tenho um sobrinho de quatro anos que mal come queijo branco. Os filhos de algumas amigas não comem queijo. O pediatra no Brasil me falou que queijo era nem pensar nunca em tempo algum só lá pela adolescência porque queijo pode dar um monte de alergias. Hahahahaha, meu querido, estamos na França, o universo paralelo onde cada metro quadrado de terra tem seu queijo específico feito com o leite específico da sua vaca específica. Aqui tem mais de 500 tipos diferentes de queijo. Eu não conheço os 500, mas conheço uma centena pelo menos e posso garantir que é de matar. Conclusão: depois do pão, a primeira coisa que vão botar na mão da sua filha é um pedacinho de queijo. E não vai ser um queijinho branco, não, nem uma mozzarella. Vai ser um queijo de verdade, daqueles com gosto de queijo. E a família vai ficar toda orgulhosa olhando a pimpolha mandar aquele queijinho pra dentro da goela. E o cara-metade vai ficar todo pimpão porque a filhota ama os queijos da região dele. E o vovô também. Assim como a vovó. E até você, mamãe, que é brasileira mas é queijeira vai sorrir assim com o peito empinado, sorridente porque sua filha não toma leite de vaca mas, dos laticínios existentes, escolheu o queijo para chamar de seu. E queijo a gente pode, né? Até o dia em que ela abocanha um camembert e você espera uma tragédia nas fraldas. Nada. Nadica de nada. É uma francesa, o pai decreta. As amigas brasileiras ficam aterrorizadas.
  • carne crua: não pode, não pode, não pode. A menos que você more em São Paulo, maior colônia japonesa fora do Japão. A filha de uma grande amiga começou a comer peixe cru aos oito meses. Aqui, as amigas francesas ficariam apavoradas. Putz, minha filha está atrasada! O duro é achar restaurante japonês bom por aqui.
  • grãos: depois dos dois anos de idade. Como é? E o arroz? E o feijão? A pequena não nega a brasilidade e os grãos estão todos aí. E ela se esbalda. Se colocar uma farinha de mandioca em cima do feijão preto então… Putz!

Comendo e aprendendo

Já escrevi uma ou outra vezes sobre diversificação alimentar por aqui. Momento esquisito, pois é mais um passo do seu bebê em direção ao mundo, que se diversifica, se amplia, aumenta. Nada fácil encontrar um modo de apresentar esse mundo dos sabores para uma criança sem impor, sem forçar a barra e querer enfiar a colher goela abaixo, sem medo da quantia consumida, sem se preocupar se o sujeitinho está bem alimentado ou não… Enfim, um mundo que se abre para o bebê e também para nós, mães, que saímos do conforto do peito ou da mamadeira para um sem número de decisões cotidianas sobre o quê, como, quando….

Tenho percebido que a diversificação alimentar não segue uma linha reta e ascendente. Ela parece cheia de altos e baixos, idas e vindas. No começo, por aqui, era uma grande brincadeira. Brincar com o brócoli era a mesma coisa que brincar com o mordedor ou com o bichinho de pelúcia. Com a diferença de que, no caso do brócoli, a mamãe deixava engolir, enquanto que os papéis e os pedaços de livro sempre tinham que sair da boca.

Depois veio um momento em que comida virou comida. Algo que aparecia nos momentos de fome. Mas, como entender quando o chororô e o pedido de mamar era fome, sede, sono, chamego? Pois é, a mamada que era fome foi sendo substituída pela comida, por vezes em um timing perfeito, noutras de maneira totalmente equivocada. Mas, de algum modo funcionou para a pequena perceber que haviam outras coisas que também enchiam a pancinha com sabores e cores.

Mas aí a porca torceu o rabo e entramos nesse momento ambíguo. Comer é bom, mas também é não mamar. E não mamar é ficar longe da mamãe. E isso não é fácil pra ninguém, né? Assim, somamos essa angústia existencial a uma bela virose e dois resfriados e entramos no período dos testes. Papinha, que nunca foi muito o forte do cardápio aqui em casa foi totalmente banida e a pequena decidiu que só iria comer se ela mesma pudesse controlar a coisa toda. Um baby led weaning meio tortuoso foi o que deu para fazer: comida em pedaços virou regra, comer com as mãos, escolher o que comeria daquilo que estava sendo oferecido, comer no seu ritmo, na sua quantidade. Angustiante, pois às vezes era apenas arroz, noutros dias só feijão, noutros apenas carne e noutros ainda apenas uma fruta ou outra. E quando eu vinha com o feijão que ela tinha gostado no dia anterior era dia de comer só pão. E quando eu fazia brócoli era dia de comer porpeta… putz!

Eventualmente fomos nos entendendo melhor – o que quer dizer que eu fui aprendendo melhor a decifrar suas comunicações e seus sinais em relação à comida. Agora, vivemos o momento em que por vezes é necessário mamar antes de comer. E por vezes é necessário apenas mamar ao invés de comer outras coisas. O que deixa a mamãe maluca achando que voltamos para a estaca zero. Isso até a pequena comer uma pratada de arroz com feijão descomunal. Sem passar mal depois. Tem dias em que ela come com as mãos, noutros quer ajuda para comer com o garfo ou com a colher, noutros eu mesma posso dar a comida na colher, desde que seja ela a me mostrar o que é para colocar ali dentro. E têm momentos em que é hora de jogar tudo no chão. Ou cuspir. Porque ainda não existem outros meios de dizer que não quer. Ou que chega.

Quando eu era pequena, iam enfiando comida na minha boca até eu vomitar. Isso porque era obrigatório dar uma quantidade específica, de uma comida específica. Tudo indicado pela autoridade no assunto, claro. Que nunca era eu, nem minha mãe. Para nós sobrava o assujeitamento a quem sabia o que e como eu deveria comer. O resultado foi que eu me tornei uma péssima “comedora” durante anos a fio. Anos em que eu não comi manga, nem figo e nem mais uma série de frutas que hoje acho deliciosas. E nem peixe cru. Ou frutos do mar. Ou espinafre. Ou seja, quanto tempo perdido por pressa de fazer comer muito e de tudo, não?

Tenho achado que essa diversificação alimentar é mais um teste de tolerância para os pais, um teste da nossa capacidade de respeitar nossos filhos e o ritmo deles para embarcar nesse mundo novo. Enquanto eles descobrem sabores, nós precisamos descobrir como aguentar nossas ansiedades com tudo aquilo que comida e comer significa para a gente. Para não pesarmos com todas essas expectativas sobre os nossos filhos.

Uma coisa me parece óbvia: toda criança vai comer. Porque criança é curiosa. E criança vê os adultos comendo, vê os pais em torno da mesa colocando coisas em suas bocas, conversando, rindo… As crianças testemunham esses momentos e querem participar. Muito antes dos seis meses, têm muita criança querendo roubar pedaços de comida dos pratos dos pais. Porque parece tão divertido. E é aí que a porca torce o rabo: para que a criança coma “saudável”, não existe jeito mais eficaz do que os pais terem uma dieta equilibrada e variada. Minha filha me vê comendo frutas o dia inteiro. E ela sempre quer experimentar. Claro, quando ela me vê comendo chocolate ela quer também. E como é que fica para explicar que algumas coisas podem e outras não? Uma boa alimentação é aquela em que toda família se alimenta bem. Não funciona você passar o dia comendo chocolate, bolacha recheada e refrigerante e querer que seu filho coma verduras porque ele basicamente vai fazer o que você fizer. Comida não é bom senso, nem é racional e sensata. Ela é aquilo que vivemos, os cheiros e gostos que nos marcam, os encontros com as pessoas. E se a hora das refeições for estressada, na frente da TV ou com gente discutindo, fica difícil querer que os pequenos tenham prazer nisso. Ou que eles comam de maneira diferente.

Tem horas em que a gente simplesmente não sabe…

… o que fazer, o que dizer, para onde ir. Parece que é assim. Na maternidade e na vida, existem vários momentos em que simplesmente não sabemos.

Não que pudéssemos saber tudo, eis aí uma onipotência que é desconstruída dia a dia quando nos tornamos mães. Isso se ela já não havia sido desfeita antes pela própria vida. Não tem como saber, não tem como controlar. No final, o que podemos é muito pouco. E o cotidiano é o permanente jogo entre esse pouco que podemos e o que tentamos fazer com ele. Para ver se estica, se puxa e se chega até ali.

Escrevo com frequência sobre a saga da amamentação. Porque adoro amamentar. Porque acho importante. Porque percebo que um dos fatores que mais a dificultam é que não pensamos sobre ela, achando que é fácil, natural e que vai acontecer em um passe de mágica. Contando com essa naturalidade e mais um monte de informações desencontradas, quando não errôneas, eis uma boa receita para o bolo desandar na hora em que aparecer o primeiro grão de real nessa idealização cheia de facilidade. Enfim…

Por aqui e por aí, amamentar é um projeto de vida, daqueles que você precisa abraçar e se dedicar com afinco para que dê certo. Para aprender, para que seu filho aprenda, para que aprendam juntos, para que tudo se meta em andamento e funcione. E depois de uns dois meses você se descobre mais leve e apaziguada com a amamentação, alguma coisa entrou nos eixos e passa a caminhar por si. Bebê pede, bebê mama, tudo fica mais fácil. A meta são os seis meses, os seis meses de aleitamento exclusivo, que indicam que vocês venceram o grande desafio e podem celebrar tanta persistência e tanta dedicação. Podem mesmo. Mas não acaba aí.

Se podemos contar com a blogosfera e com uma série de referências e grupos que buscam informar e apoiar mães que querem amamentar sobre como fazer nesses primeiros meses, um silêncio enorme se faz depois disso, com a diversificação alimentar. Como é que fica amamentar depois que o bebê começa a comer outros alimentos?

No começo desses pós seis meses, fica tudo muito parecido com o que era antes, tendo em vista que o pequeno nem percebe que está comendo. Os alimentos vão para a boca como tudo o mais, numa espécie de brincadeira divertida com gostos, texturas e cores. Comida vai para a boca e é engolida eventualmente enquanto que outras coisas não. Ou espera-se que não, né? Porque tem pequenos que adoram engolir um papel aqui, uma folhinha acolá…

Mas passam-se novamente uns dois meses e comer outros alimentos entra em velocidade cruzeiro. E, como tudo mais nesse planeta maternália, basta que algo se estabilize e nos acostumemos a ele para que tudo mude novamente. Putz, não tem linha de chegada não?

Não.

Fato é que são praticamente inexistentes informações sobre como amamentar depois dos primeiros seis. Livre demanda? Continua. A menos que você queira começar a arbitrar sobre algo em que, até então, tinha optado por respeitar ritmo e necessidade do rebento. Mas e quando livre demanda significa bebê comer e mamar em seguida? E quando livre demanda significa bebê não querer comer e querer mamar? E quando significa bebê voltar a querer mamar duas ou três vezes por noite?

Pois é, você achando que quando algo engrena é sempre um movimento de progressão, onde o adquirido permanece e novos desafios surgem. Mas e se o movimento não é progressivo, evolutivo ou qualquer outro adjetivo desinvolvimentista para definir como os bebês deveriam ser? E se têm idas e vindas, retornos inesperados, isso quer dizer que há um problema? Ou é apenas assim, tão incerto como a vida?

Nesses dias, entre hipóteses de salto de desenvolvimento, dentes, angústia de separação ou fracasso na estratégia da diversificação alimentar, me dei conta do quão pouco sabemos sobre como se chega de um lugar a outro. Como é que um bebê come ou dorme a noite inteira sem o uso de técnicas de adestramento, sem imposições que desconsiderem o que ele precisa ou pode?

Diversificação alimentar? Putz!

Então você, mãe de primeira viagem, pariu e acreditou que esse era o maior desafio da maternidade. Veio a amamentação. Então você bravamente mergulhou nesse universo de leite, mamadas, afeto e sono e acreditou que esse era o maior desafio em ser mãe. Veio o momento da diversificação alimentar…

Pô, qual é o maior desafio em ser mãe, então? Quando é que a gente pode sentar, relaxar, pedir um aperitivo, abrir um livro e se felicitar por ter dado conta de tantas coisas que não eram nada evidentes com garra e dedicação de leoas? Hahaha, pois é… nem preciso responder, né?

A história da diversificação alimentar começa parecida com a da amamentação no seguinte sentido: do mesmo modo que você é bombardeada de informações desencontradas logo que seu bebê nasce e que vocês dois começam essa descoberta que é o momento de cada mamada, acontece uma segunda enxurrada de orientações e palpites que têm por tema a alimentação do seu bebê assim que você diz que começou a dar “papinha” para ele. Foi dada a largada, todo mundo em volta querendo saber se o sujeitinho come bem (oi?), o que come, como come, quando come, quanto come… todo mundo tem uma receita, uma dica, um método infalível. E todo mundo tem também um comentário bem simpático a fazer, de preferência na frente do seu rebento que está ali tranquilamente descobrindo uma coisa nova: “ah, bem, come mesmo, come bem direitinho porque a sua mãe – ou o seu pai, ou o seu irmão, ou o seu primo, ou quem quer que seja o termo de comparação do comentário infeliz – não comia nada”. Se minha pequena pudesse responder nesse momento, acho que ela diria algo como: “puxa, valeu pelo incentivo, hein?”. No entanto, como ela é mais esperta e mais blasée do que isso, apenas olha com indiferença enquanto continua chupando seu pedaço de legume, fruta, carne ou o que for que ela esteja explorando naquela hora.

Acho curioso como as pessoas e suas receitas, palpites e opiniões se preocupam muito pouco em observar o que está acontecendo. Não parece estranho a vocês também que as pessoas cheguem com as respostas antes mesmo que alguém faça uma pergunta? Ou que cheguem com soluções, idéias preconcebidas e diretrizes a te fornecer antes mesmo de saberem quem você é ou o que está acontecendo ali? A mim sempre pareceu muito esquisito. Talvez por isso tenha me tornado psicanalista, já que a psicanálise considera que o mais importante é aquilo que o sujeito tem a dizer e, mais ainda, aquilo que ele pode ser se dermos espaço para que ele diga e seja sem ficarmos poluindo tudo com nossas falas e nossas conclusões desconectadas da pessoa que ali está. Enfim… nesse modo arbitrário com o qual as pessoas se aproximam para falar de diversificação alimentar e de como fazê-la, parece-me que escapam algumas observações que, ao menos para mim, têm sido bem úteis nessa nova etapa:

Sua filha já está comendo? Sim, evidentemente, ela come desde que nasceu senão não estaria aqui, né?

Pois é, acho que a primeira obviedade que escapa às pessoas, inclusive à nós, mães, na hora em que começamos a nos preocupar com essa história da alimentação é que nossos filhos já comem desde que nasceram. E perceber isso diminui muito a ansiedade e a expectativa. Quero dizer: eles comem, sabem comer, estão bem alimentados, saudáveis… o que muda, a partir dos seis meses, é que nós oferecemos a eles outros alimentos além do leite.

Tenho encarado a diversificação alimentar como algumas outras coisas desse mundo que estou apresentando à minha filha: gostos que ela conhecia sutilmente porque passavam pelo leite materno e que ela reencontra agora mais intensos, em novas cores, texturas, temperaturas. E acho que essa é a segunda obviedade que nos escapa: trata-se de uma descoberta, de apresentar algo do mundo, de uma brincadeira.

Sim, pois os pequenos botam os alimentos na boca como quem coloca qualquer coisa na boca, para conhecer e explorar e, de repente, aquilo tem um gosto, uma consistência, é interessante… Parece que é assim que começa, como uma brincadeira divertida que acaba virando alimento também. Mas não é isso o principal no começo. Até mesmo porque o leite é o principal alimento de um mamífero por um bom tempo e nós somos mamíferos, mesmo que nos esqueçamos disso com frequência. Os outros alimentos vêm como complemento, como uma apresentação, como uma brincadeira de explorar que pode ser divertida, surpreendente e prazerosa. Eis aí mais uma obviedade que nos escapa, ou que insistimos em ignorar: comer tem a ver com prazer.

Comer é um ato prazeroso, e isso é tão fácil de constatar observando um bebê que mama quanto uma criança ou um adulto que comem com gosto algum alimento de que gostem muito. Por que não poderia ser assim para uma criança? Por que, de repente, tudo tem que ficar sério, baseado em quantidades pré-estabelecidas que desconsideram ritmos e vontades daquele serzinho… por que tem que ficar chato, estressante, limpo, sem botar as mãos, sem babar nem nada disso? E como podemos esperar que nossos pequenos curtam a experiência a ponto de querer repeti-la várias vezes ao dia se logo somos tragados pelo mar de palpites e orientações estapafúrdios que tentamos seguir como se fossem garantir que o bebê coma e coma bem?

Aliás, o que é comer bem? Eu não sabia até pouco tempo, mas o estômago de um bebê de seis meses tem mais ou menos o tamanho de seu punho fechado. Ou seja, é minúsculo. Ou seja, aquela pratada que você come dizendo que comeu “super bem”, aquela feijoada, aquele dogão… nada disso vai caber. Fisicamente impossível. E lá vamos nós ajustar expectativas aos fatos e aos limites da realidade de um bebê.

Primeira conclusão desse início de diversificação alimentar: temos que reaprender a comer quando começamos a variar a alimentação de nossos filhos. Segunda conclusão: temos um mergulho garantido para dentro de nossas concepções e histórias com a comida tão logo começamos a precisar decidir sobre pratos, legumes, frutas, carne, onde, quando, como, quanto… Maternidade parece que é assim: quando você pensa que conseguiu entender alguma coisa e começa a relaxar, logo surge o momento seguinte, cheio de surpresas e de questões para pensar, estudar, informar-se, decidir…

E quanto aos palpiteiros de plantão… minha gente, vamos parar de despejar caminhões de expectativas nesses pequenos? Vamos deixar eles se divertirem um pouco com o que estão vivendo? Vamos deixar as nossas neuroses, ressentimentos, manias e afins guardados para nós mesmos, ao invés de sair vomitando palpites sobre alimentação por aí, por gentileza?

Obrigada. Quem sabe então possamos falar do que interessa realmente.

Alguns posts, links e idéias que têm me ajudado:

Meu filho não come 6/7 meses (introdução alimentar) do blog As delícias do Dudu.

O grupo Alimentação Consciente do facebook.

Nutrição infantil, o blog.

Diretrizes para o blw, post do blog Nosso primeiro bebê.

A saga da introdução alimentar, post do blog Potencial Gestante.

Nossos filhos são o que comem, post do blog Cientista que virou mãe.

Baby Led Weaning, o site.