O parto mais científico costuma ser o menos tecnológico (partes 1 e 2)

Obrigada à Clarissa do blog:  A mãe que quero ser pela tradução do excelente texto de Alice Dreger mostrando que o parto mais científico e seguro é o menos tecnológico. Vale a leitura.

O parto mais científico costuma ser o menos tecnológico (parte 1).

O parto mais científico costuma ser o menos tecnológico (parte 2).

via A mãe que quero ser.

Mais sobre a amamentação…

… numa biografia não extensiva e meio aleatória dos melhores textos que andei lendo pela web. Vou adicionando aos poucos, conforme reencontrá-los ou descobrir novos, ok?

O renascimento do parto

Para todos que se interessam por saber um pouco mais sobre a realidade da assistência à gravidez e ao parto no Brasil, para todos os que se interessam em pensar como o modo como nascemos pode revelar sobre aquilo que somos e quais valores sustentamos em nosso tempo e em nossa cultura, para todos os que se interessam em pensar em como querer trazer seus filhos ao mundo… assistam…

O Renascimento do Parto

Aqui uma boa crítica do filme, recém-lançado no Brasil.

Vale uma passadinha no cinema no final de semana.

Amamente!

(en français)

Essa é a Semana Mundial da Amamentação. Aqui na França, as mulheres têm uma relação bem estranha com o amamentar e a maioria escolhe não fazê-lo, pelos motivos os mais variados. Acho paradoxal como em um país onde o parto normal é a regra, amamentar seu bebê possa parecer algo tão extraordinário. Parece, para mim, um análogo do que é a cesariana no Brasil, que ganhou uma máscara de escolha da mulher, quando não se trata disso. Amamentar, mais aqui do que aí, parece descolado da maternidade, uma opção em que questões como peitos flácidos e caídos (oi?) ou uma certa repulsa a um ato considerado como mais animal e, por vezes, até degradante para a mulher (!!!) engrossam o caldo cultural que faz com que a maioria, nos cursos de preparação ao longo da gestação, estejam mais interessadas em saber qual mamadeira comprar e qual marca de leite dar. Triste. Tanto que existem campanhas muito fortes de amamentação nas maternidades daqui.

Penso que amamentar faz parte da maternidade. Assim como gestar e parir. São coisas que não deveriam acontecer quando existe um real impedimento para as mesmas. Não são escolhas, ou melhor, são escolhas que são assumidas no exato momento em que aquela mulher decide ter um bebê. Ter um bebê implica certas consequências, como gestar (se não for o caso de uma adoção mas, ainda assim, há um gestar da mãe adotiva também), parir, amamentar. Ou seja, ter um bebê implica um compromisso e uma boa dose de dedicação. Não dá para ter filhos e seguir a vida sem mudar nada. Isso, a meu ver, não é ter filhos. É apenas seguir o “vai da valsa”, como se fosse algo obrigatório a se viver… uma decisão padrão que tem muito de padrão e pouco de decisão. Ou, pior ainda, um gesto de consumo: viajar, comprar casa, apartamento, ter cachorro, ter filhos… tudo na mesma lógica de consumo, tudo no mesmo balaio. Nisso, perde-se o pé e deixa-se de lado o fato de que existe ali um outro, uma pessoa, um ser humano que não é produto de consumo, mas alguém que precisa de cuidado, amor e carinho. Que sentido faz ter filhos sem muita implicação com esse outro que está ali e depende de quem o cria para viver e, mais ainda, para viver com alegria, dignidade e tranquilidade? Que sentido faz ter filhos sem assumir as consequências, as mudanças e as implicações desse ato? Não compreendo essa distorção tão presente em nosso tempo e em nossa cultura. Ou melhor, compreendo que ela é fruto de nossa ideologia de consumo atual. Mas não aceito.

Enfim, tudo isso para dizer que amamentar faz parte do projeto “ter filhos” e que penso que, no Brasil, estamos muito mais conscientes disso do que na França. Ainda bem!

Mas hoje, principalmente, quero deixar vocês com o excelente texto da Ligia do blog Cientista que virou mãe sobre a importância do apoio à amamentação por parte do marido, da família e dos próximos. Mãe parida é mulher que precisa de apoio, reconforto, ajuda e incentivo. Não palpite, crítica e desencorajamento, viu, minha gente? Leiam o texto, vale a pena.

Então, amamentem. E, quem está ao redor, cuide tão bem dessa mãe quanto dessa criança que acaba de chegar. A gente agradece.

*** Em tempo, encontrei recentemente um post antigo da Renata Penna no blog Mamíferas tratando do mesmo assunto, sob perspectiva bem semelhante àquela que discuto aqui. A amamentação como um dever que faz parte do pacote da escolha de ser mãe. Muito bem escrito. Vale a leitura!

As boas do dia.

Para engrossar o caldo da discussão, aqui vão alguns ótimos textos que encontrei recentemente e que ajudam a pensar a respeito desse embate entre parto normal e cesárea:

– o irônico post do Marco Antonio, depois do nascimento do bebê real ontem;

– o necessário e esclarecedor post da Melania Amorim sobre os reais motivos que demandam uma cesariana e a lista infindável de equívocos e desculpas esfarrapadas que promovem cirurgias desnecessárias;

– o também esclarecedor post do Eu quero parto normal, mostrando as indicações da OMS a respeito do que é recomendável ou não fazer, quais as boas e más condutas, do ponto de vista médico, a se tomar ao longo de um parto (e que os médicos ignoram, curiosamente);

– o excelente texto da Thaís Fernandes sobre os riscos da cesariana publicado pelo Instituto Ciência Hoje.

São apenas alguns em um caldo imenso de bons textos a respeito. Mas que valem à pena. Boa leitura!

 

Sobre a responsabilidade da maternidade…

Em tempos de discussão ferrenha sobre a importância de poder escolher ter ou não filhos, vale a pena lembrar das responsabilidades que carrega tal escolha. Em tempos em que ter filhos muitas vezes é a escolha cômoda e acomodada ao caminho do menor esforço, Daniele Brito, do blog Balzaca Materna, escreve um lindo texto em que nos lembra que a maternidade envolve muito mais compromisso, dedicação e cuidado do que aparenta. Para o blog Infância Livre de Consumismo: você encontra o texto aqui.

 

 

Enquanto isso, nos E.U.A…

Ina May Gaskin é uma enfermeira obstétrica norte-americana fundadora de uma bela casa de parto humanizado no Tennessee, chamada The Farm. Ela escreve e dá palestras sobre o assunto pelo mundo afora e aqui está uma série de vídeos de uma palestra que ela fez na Suécia em 2012, onde fala sobre a medicalização do parto, o excesso de tecnologia e intervenções, a peridural, a episiotomia, o desrespeito à mulher e ao tempo de cada parto… E também sobre a importância de rir, de se divertir durante o parto, por incrível que pareça. Vale a pena assistir. E não se restringe apenas à realidade norteamericana. Está em inglês:

 

 

Um outro texto…

… sobre cesárea, parto normal e dor, que recoloca em questão as dores posteriores à cesariana e aquelas ligadas ao parto normal, muito menores, a menos que ele seja permeado de muitas intervenções médicas desnecessárias. Parece que, para evitar a dor, a medicina criou estratégias que fazem com que soframos bem mais. Vai entender, né? O link, aqui.