Terceira parte das dicas de compras…

… para bebês e mamães aqui na França. Depois da intro geral e das roupas, vamos aos móveis e outros objetos do enxoval do bebê.

  • berço: essa é uma discussão mais de fundo, porque a importância do berço tem a ver com como você pretende criar seu bebê, especialmente no começo. Pretende fazer cama compartilhada? Então, um berço é o maior desperdício de dinheiro que você vai ter. Pretende deixar o pequenino dormindo ali do seu lado? Novamente, será um desperdício comprar um berço. Vai ficar pegando poeira, juntamente com tudo o mais do tal quartinho do bebê, que todo mundo diz que a gente tem que fazer mas que, na verdade, serve apenas para nosso exercício de vaidade ou de decoração. Sei que têm muitos pais que tentam e até deixam o bebê no seu próprio quarto desde o início. Mas além de não ser o melhor para o bebê, que fica totalmente desamparado naquele lugar solitário e silencioso, depois de ter passado nove meses aconchegado e quentinho na nossa barriga barulhenta, também não é o melhor para a mãe, especialmente aquela que amamenta e que vai ter que levantar dez mil vezes à noite, andar até o quarto, sentar em uma poltrona para amamentar e depois tentar voltar a dormir antes que o bebê acorde para outra mamada. OK, pode ser bonitinho, mas é zero em praticidade essa história de quarto do bebê. Além do mais, que mãe não fica com sono leve e querendo checar se o bebê está bem? A exaustão dos primeiros meses me fez perceber que cama compartilhada ou berço ao lado da cama, no quarto do casal, são muito mais adaptados para a realidade de ter um recém-nascido. Gastei dinheiro num belo quartinho de bebê todo mobiliado à toa. Penso que esse gasto vai fazer sentido bem mais tarde, quando o pequeno for capaz de dormir sozinho, o que pode levar um bom tempo. E, se forem anos, ele vai passar direto da sua cama para uma cama dele, o que torna o tal berço ainda mais obsoleto.
  • se não for berço e nem cama compartilhada, o que, então? Aqui, usamos muito uma excelente nacelle, aquele moisés de bebê que se usa no carrinho quando ele é recém-nascido e ainda não fica sentado. A nossa era essa aqui, da marca Bébéconfort de que gosto muito. Até agora, foi o que valeu outro investimento inútil e caro, que é o tal carrinho de bebê (falo disso já já). Enfim, a pequena dormiu abrigada e confortável ali até seus 4 meses. Foi MUITO melhor do que tentar colocá-la no berço gigante em que ela ficava perdida, mesmo envolta pela gigoteuse. Fora que melhorou demais para mim também a qualidade do descanso à noite, já que era apenas o caso de tirá-la da nacelle, deitá-la na cama e amamentar deitada, praticamente dormindo. E ainda, no caso de precisar transportá-la de carro, é um moisés adaptado a esse uso. A pequena vai deitada – o que eu particularmente achei bem melhor do que ir sentada, escorregando até virar um tatu-bola, porque bebê pequeno é todo molinho e não consegue se ajeitar naqueles bebês confortos de jeito nenhum. O pescoço vira pro lado, a cabeça cai para a frente e você tem que ficar fazendo mil manobras para o pobrezinho conseguir viajar com o mínimo de conforto. Então, nacelle para dormir e para transportar. Viva!
  • outra opção que achei muito boa e prática foi o que eles chamam de lit de voyage, aqueles berços desmontáveis um pouco menores que um berço comum. Usamos este aqui, da Chicco, que é caro, mas excelente. Fácil de montar e de desmontar, o colchão é muito bom, não daqueles super finos que se encontram normalmente nesses berços. Além disso, ele é mais alto, o que faz diferença especialmente no inverno, quando outros berços portáteis colocam o bebê praticamente encostado no chão. E daí, não tem jeito, o pequeno pega toda a friagem que sobe dali… nada bom isso. De todo modo, é importante ter em conta que esse tipo de berço é para um bebê até cerca de seis meses, ou quando eles aprendem a ficar sentados sozinhos, pois a partir daí, como eles não são muito fundos, ficam perigosos, como as nacelles.
  • mais uma opção, que dura bem mais tempo do que o moisés e o berço de viagem é o que eles chamam de lit parapluie, que também é um berço desmontável, mas justamente daqueles maiores, em que o bebê fica lá no fundo do berço, quase no chão. Se você tem tapete no seu quarto ou algum meio de proteger o rebento da friagem (estou parecendo uma avó com essa história de friagem, né?) ou se seu pequeno nasce no verão, acho que é o melhor investimento a fazer. Melhor que os outros dois porque dura mais tempo, melhor do que um berço comum que vai ficar te aporrinhando num quarto sem uso, esse ao menos pode ficar do lado da sua cama e pode ir para qualquer casa de sogra ou de mãe, quando a família viajar. O melhor que minha filha já usou, justamente em uma dessas andanças em terras brasilis, foi um da marca Burigotto, que não vende aqui, mas vende no Brasil.
  • trocador: a table à langer, a meu ver, não é essencial. Mas também não é um desperdício. A gente acaba trocando o bebê em mil lugares diferentes, na cama, no sofá, no tapete, nas cadeiras do restaurante (não perguntem, por favor…) e fazemos isso mil vezes por dia. O que significa que, para as nossas costas, um trocador na altura adequada é uma MARAVILHA. Então, o que eu diria é que, se der para gastar com isso, vá em frente. Nós usamos esse aqui, da marca Sauthon, que é bem sólida e duradoura em termos de móveis de bebê. Fora que todos se transformam em outra coisa, berço que vira cama, trocador que vira banco, o que ameniza um pouco os gastos, pois serão usados mais tempo.
  • banheira: eu diria que vale o mesmo que para o trocador. É totalmente possível dar banho em um bebê no chuveiro – ainda que eu sempre fique com aquela aflição de que o bichinho vai escorregar – ou mesmo na banheira normal da casa. Mas ter uma banheirinha com pé, que coloca o pequeno naquela altura ótima para poupar seu lombo combalido de um milhão de “abaixa-levanta” diários é bem, bem bom.
  • carrinho de bebê: de novo, merece discussão. O carrinho aqui tem enfeitado a sala, depois que parou de servir como berço para a pequena. Nada mais. Eu não uso o carrinho para transportar minha filha. Por quê? Primeiro, porque Paris é uma péssima cidade para grávidas e mães de bebês de colo. Tem escada demais e gente solidária de menos. O pior pesadelo de uma mãe é ter que carregar bebê e carrinho nas intermináveis escadarias do metrô parisiense e a maior parte das estações não possuem elevador. O que eu faço, então? Portagem. Além de resolver problemas práticos como esse, penso que é a melhor maneira de transportar um bebê. Lugar de bebê, como já disse anteriormente, é no colo. Bebê precisa do contato com a mãe, do calor, do cheiro, do coração batendo. E a mãe precisa ter uma certa mobilidade para transportar seu rebento. Nossas antepassadas e nossas atuais latinas, asiáticas e africanas sabem das coisas: bebê no colo é mais tranquilo, tem menos cólica, chora bem menos e mais um monte de benefícios que eu, entre outras pessoas, já enumerei. Fora que é tão mais prático.
  • então, se for se aventurar no maravilhoso mundo da portagem, aqui nos adaptamos muito bem ao sling de pano e não muito ao sling de argola. A pequena se adaptou bem também ao canguru, mas vale lembrar que, se for investir em um deles, verifique sempre se é ergonômico, fisiológico, ou seja, se permite ao bebê ser carregado na posição correta, que é com os joelhos na altura dos quadris. No quesito écharpe de portage, recomendo os wrap slings super bem feitos da Storchenwiege, uma marca alemã excelente, resistente e duradoura, ou os bem fresquinhos da Fil’Up francesa. Esses últimos cedem um pouco no tecido, mas são bem confortáveis para o verão, quando um tecido muito grosso pode incomodar um tanto, fazendo mãe e bebê transpirarem em bicas. No caso da opção ser o canguru, a melhor opção que encontrei foi a Ergobaby. Bebê fica ótima ali dentro… e descobri noutro dia que até a Gisele usa…
  • mamadeiras e chupetas: aqui nem é caso de ser necessário ou inútil, mas sim caso de comprar algo que é contraproducente e joga contra você. Meu conselho mais sincero, se você pretende amamentar, é NÃO, NÃO e NÃO. Eu ganhei de presente e nunca usei. E concordo com quem diz que ter essas porcarias em casa só serve para te desanimar e te deixar mais insegura quanto à sua real capacidade de alimentar o seu filho. Eu cheguei até a comprar uma lata de leite em pó, por orientação de uma pediatra que não entende nada de amamentação. Guardo a dita cuja junto com mamadeiras e chupetas, tudo fechado, como um troféu e dou uma olhada nelas sempre que preciso reunir forças para fazer frente a esse mundo desinformado que insiste em afirmar que não faz diferença dar leite materno ou em pó para um bebê. Faz. E enfiar uma chupeta no meio disso tudo ainda ajuda mais a confundir o bebê, que aprende a pegar chupeta e mamadeira e passa a ter mais e mais dificuldade em pegar o seio. Tenho escrito muito sobre isso e indico muitas outras leituras a respeito ao longo do blog e proponho que cada mãe se informe realmente a respeito de mamadeiras e chupetas antes de tomar uma decisão. E, te garanto que se você precisar mesmo, mesmo, mesmo de mamadeira e leite em pó, pode mandar o maridão em qualquer farmácia que ele encontra. Na França, mamadeiras e leite em pó ficam expostos nas vitrines das farmácias, então, nenhuma dúvida de que o lobby da indústria do leite em pó vai muito bem por aqui, obrigada e que seu rebento não vai passar fome. E quanto à chupeta, melhor ler ao menos isso aqui antes de decidir.

Sigo com as dicas de um pouco de tudo no próximo post, para finalizar, ok?

Segunda parte das dicas de compras…

… para mamães e bebês, aqui na França, e que começaram nesse post aqui.

Então, depois dos princípios gerais, vamos a uma lista subjetiva do que comprar. Isso porque cada mãe é uma, cada filho é um e eu, na gravidez, também li muitas listas de blogs amigos sobre o que tinha sido verdadeiramente útil ou não para cada mãe é bebê e isso varia um tanto, dependendo de como você cria seu rebento e do que é prioridade para você. De todo modo, segue aqui o que tenho achado importante como investimento e o que achei balela inútil.

Roupas:

  • primeira coisa é pensar em quando o seu rebento vai nascer, se no inverno ou no verão, para tentar comprar as roupas no tamanho certo para cada época. Digo tentar porque, como você vai perceber, numeração de roupa de criança é a coisa mais sem sentido do mundo. Tem roupa de RN que minha filha foi usar com três meses e tem roupa de 6 meses que ela usou aos 4. Comprei muita coisa baseada em numeração e estação do ano apenas para me dar conta, quando fui arrumar tudo, que as roupinhas não correspondiam a seus tamanhos e que o melhor jeito de organizar era medindo umas em relação às outras (momento de loucura obssessiva, vão vendo) e arrumar segundo os tamanhos reais das ditas cujas e não pelo que está marcado na etiqueta. Deu certo e, apesar da trabalheira e de parecer uma maluca, perdemos muito pouca coisa sem usar. Mas como faz na hora de comprar? Pois é, você vai ter que se basear no que está escrito na etiqueta e, se estiver comprando presencialmente, vai pegando a prática de olhar e ver se é pequena ou grande o suficiente. De todo modo, apenas como parâmetro, saiba que a maioria das marcas brasileiras fazem as numerações MUITO maiores do que as marcas daqui. Tem uma diferença gigantesca, que muitas vezes me fez pensar se no Brasil a gente tem filhos imensos ou se vestimos eles como um saco de batatas por um bom tempo até as roupinhas ficarem de fato certas para o tamanho dos pequenos. OK, ok, outra obssessão minha, eu acho mesmo que roupa tem que ser do tamanho de quem veste, detesto aquela história de gente que engorda e não compra roupa nova para “ter um incentivo” para perder peso e, enquanto isso, fica transbordando em roupa apertada e desconfortável, que só faz com que ela se sinta pior e, com isso, tenha mais dificuldade de emagrecer, ou seja… contra-producente pra caramba. Assim como detesto essa coisa de bebê e criança vestidos “de saco”, mesmo entendendo que isso permite economizar uma grana com roupas que vão se perder depressa. Mas, gente, no Brasil é um exagero. E economizar pode ser feito de outras formas (mais dicas sobre isso logo mais). Que bebê recém-nascido não fica nadando naqueles bodies? Eles também precisam de conforto, o que não quer dizer roupas apertadas, mas também não quer dizer uma massaroca de panos e tecidos amarfanhados contra a sua pele sensível, em muitas camadas que embolam umas nas outras, até o coitadinho ficar todo prensado. Enfim, o que provavelmente corresponde ao que seu bebê vai usar enquanto recém-nascido, a menos que ele seja muito grande, é realmente o tamanho RN daqui. Ou o tamanho seguinte, o 1. Se ele for pequenininho demais – ou prematuro – existem marcas que fazem numeração especial e vale investir em uma peça ou outra. Marcas como Petit Bateau, Chicco e The Essential One foram as que mais usei para minha filha recém-nascida, pois tinham as medidas mais corretas. Outra dica: por aqui, muitas marcas além de colocarem a numeração na etiqueta, colocam também o tamanho do bebê em centímetros que usaria aquela peça. Isso ajuda muito na hora de comprar, porque é bem mais preciso que os tamanhos.
  • quanto? Bom, eu concordo com aquela história de que, depois que o bebê nascer, lojas, farmácias e afins não vão deixar de existirem, o que significa que não é preciso fazer estoque de roupa e afins como se o mundo fosse acabar. MAS… e existe sim um mas. Depois que o bebê nascer, você provavelmente não vai ter todo o tempo do mundo para comprar as coisas de que precisar. Nem tempo, nem toda a tranquilidade para flanar entre lojas e aproveitar liquidações lotadas de gente. Então, mesmo que exista marido, família e amigos que poderão ir em busca de uma coisa ou outra, eu acho sensato você preparar ao menos o básico para os primeiros seis meses do bebê. Porque até lá você estará tranquila sabendo que pode abrir o armário e pegar o que precisa no meio da correria e, ainda, você terá um tempo para entender como funciona o dia-a-dia, o que precisa comprar a mais, o que não precisa, o que deu certo ou não e, com isso, fará as comprinhas pós-parto com o rebento a tiracolo, sabendo melhor o que necessita. O que poderá até tornar-se um passeio interessante para tomar um ar. Mas, no começo, a gente fica muito atrapalhada, não sei se faz sentido somar a isso uma lista de compras de coisas que estão faltando e são urgentes. Na minha opinião, com exceção das fraldas, que precisam ser compradas toda hora (o que qualquer um pode fazer por você, eu garanto, pois é mais fácil do que acertarem na compra dos absorventes, juro) é bom ter o básico em mãos.
  • e o que é o básico: em termos de roupa, são os bodies, as calças e os pijamas. E as meias, se as calças forem sem pé. Bodies de manga comprida e curta, dependendo da estação do ano, ao menos uma meia dúzia de cada. E uma meia dúzia de calças que tenham pezinho. Meia dúzia de cada, de cada tamanho, de RN até seis meses, ok? Tudo bem que você possivelmente vai ganhar mais um tanto, porque muita gente gosta de dar bodies, calças e pijamas como presente. Mas amenos que você ganhe uns 30 deles, te garanto que vai usar todos, muito, porque bebê é imprevisível, passa um dia inteiro com uma roupinha num dia e, no seguinte, suja três em duas horas, entre cocôs, vômitos e mais cocôs. Aqui na França é difícil de encontrar calça de algodão com pezinho (encontrei na Hema, são boas), porque eles já enfiam meia calça nas crianças desde cedo, ou então calça sem pé com meia. Os bodies podem ser bem básicos também, ou mais engraçadinhos, com desenhos coloridos e tiradas divertidas. Se estiver frio, provavelmente eles nunca vão aparecer, pois estarão escondidos debaixo do pijama, de um casaco ou de outra peça, então, invista no simples para o inverno. A Petit Bateau tem uma linha básica excelente, que dura horrores. Assim como a The Essential One, uma marca inglesa que é excelente para peças básicas, simples e resistentes. E a Noukie’s, uma excelente marca belga. No verão, têm bodies divertidíssimos e super coloridos da Desigual, Spoilt Rotten e Dirty Fingers (outras duas marcas inglesas, mas caras) ou Catimini. A Chicco, além de carrinhos e outras traquitanas, faz uma excelente linha de roupas, com pijamas quentinhos e duradouros para o inverno. Para pijamas, a The essential one também é ótima, assim como a linha da Vertbaudet, que é um site que tem tudo para criança, muita coisa bem interessante. Eles têm ótimas calças também, mas sem pé. E as gigoteuses são bem boas. Mas falo delas abaixo, num item exclusivo, porque gigoteuse é FUNDAMENTAL aqui, especialmente no inverno.
  • na França, como no Brasil, infelizmente ainda existe uma grande diferença entre as roupas “para menina” e “para menino”. Primeiro que ainda dividem assim, o que me parece muito questionável mas, enfim… Segundo que muitas lojas ficam no rosa, azul e branco e é um tédio que dói essas roupinhas de bebê. Se você busca cores, sugiro as marcas que falei acima. Ou pode ser que descubra outras e, se for o caso, passe aqui para me avisar, por favor. Mas você vai sempre encontrar uma roupa mais colorida para menina do que para menino, o que é de um sexismo bem chato e tacanho.
  • ainda na categoria roupas básicas: casaquinhos. Bom, é preciso considerar que aqui, os interiores são todos aquecidos. Então, mesmo no inverno o bebê ficará dentro de casa e dos outros lugares com um pijama quentinho. Ou com um body, uma calça e um casaquinho leve. Assim, você não vai precisar de mais do que uns dois ou três para usar nos ambientes fechados no inverno ou para jogar em cima da roupa em um dia de meia estação ou de verão em que sair com o bebê e bater aquele friozinho de final de tarde. Casaco de lã de vó é o melhor, nesses casos.
  • no mais, quando o frio aperta mesmo, esses casacos não servem de nada e você vai ter que ter casacos de verdade para o bebê, que, no caso, ou são casacos grossos, forrados, de malha, de lã ou de nylon, como esse aqui, com direito a capuz e luvas. Ou então, as famosas combinaisons pilote. Eu costumo colocar as de veludo na minha pequena quando está frio, mas que o dia está bonito, sem vento e chuva. A da The essential one é ótima. E quando faz frio úmido, com chuva e vento, coloco uma de nylon, como as doudounes de adulto, forradas, que protegem, bloqueiam o vento e aquecem. A da Chicco é excelente. Muitas marcas fazem esses macacões de inverno, os preços são sempre um tanto mais caros que os macacões normais. Mas é o melhor investimento em roupa de frio que você vai fazer e é necessário. É uma roupa que você coloca por cima da roupa que o bebê vai vestir e que vai ter que tirar cada vez que entrar em um lugar fechado porque, sim, do mesmo jeito que você tira o seu casaco vai ter que tirar o macacão do bebê, porque é quente mesmo. E, sim, tem que colocar as luvas, o sapatinho e, quanto ao capuz, eu coloco um gorro de lã que protege melhor e fica colado na cabeça, protegendo os ouvidos e suspendo o capuz apenas em caso de muito vento ou chuva. Bebês gostam de olhar e de virar o pescoço, o que fica complicado com o capuz da roupinha de astronauta (aliás, eles quase não se mexem nessa roupa, a minha pequena reclamava um monte no começo, mas depois que entendeu que isso serve para ela poder sair na rua, ela fica sossegada ali dentro, parecendo uma estátua, mas animadona porque vai tomar um ar). Além disso, perdem muito calor pela cabeça, então, penso que vale investir num gorro de lã. Penso que uma combinaison pilote em nylon e um casaco ou uma segunda combinaison em tecido bem quente e mais um bom gorro dão conta do recado. As luvas e sapatos vêm com o macacão, não precisa de outras. Com sorte o inverno não será tão longo e interminável e você terá que comprar apenas um tamanho de cada.
  • gigoteuse. Também acho que é peça fundamental no vestuário do bebê. Minha irmã carinhosamente a apelidou de “o saquinho”. De dormir. Porque é exatamente para isso que ela serve. Ao invés de enrolar o bebê em mil cobertores, o que é perigoso porque o bebê pequeno não tem o reflexo de se desvencilhar de um pedaço de tecido caso ele venha para cima de seu nariz e boca, aqui na França eles colocam o bebê para dormir na tal gigoteuse. Que é nada mais nada menos do que um saco de dormir, com ou sem manga, em tecido mais quente ou mais fresco, servindo para inverno e verão, em vários tamanhos, até a criança estar maior. Eu achava estranho no começo, acostumada que sou com uma cama feita, com lençol e cobertor por cima e, ainda mais, sempre tendo visto os berços dos bebês no Brasil cheios daquelas almofadas contornando o berço inteiro e um monte de travesseirinhos fofos, rolinhos, cobertas, tudo combinando. Enfim, aqui, em qualquer maternidade, eles vão te dizer que nada disso é recomendado, que é perigoso para o bebê e que bebê dorme deitado de costas, sem travesseiro, bem agasalhado de acordo com a época do ano e com uma gigoteuse. Para evitar acidentes. Para mim, faz sentido. E quando vi que minha pequena fica super bem “no saquinho” e que, ainda mais no começo, isso limita um pouco o espaço e os movimentos, fazendo as vezes de útero e deixando ela um pouco mais contida do que na imensidão do berço (afinal, quem teve a brilhante idéia de colocar um bebê que estava ali todo apertadinho na barriga num berço gigante onde ele se exaspera cercado de vazio e de ar por quase todos os lados? Isso não tem como funcionar, né? Vide o tal doutor Karp, que nos relembra que bebê fica melhor quando está mais contornado) adotei a gigoteuse como roupa básica de dormir, por cima do pijama. Serve para quem usa berço, moisés, ou até em cama compartilhada, pois não é possível puxar o cobertor até as orelhas quando a gente dorme com um bebê também por questões de segurança e qualquer texto que explique cama compartilhada vai sempre reforçar a necessidade de que todo mundo esteja agasalhado a contento para não deixar nenhum tecido dando sopa ali perto do rosto do bebê. Então, as gigoteuses também se encontram em tudo quanto é loja e marca aqui na França. Gosto muito das Vertbaudet, bom preço e boa qualidade. Têm também as da marca Moulin Roty, que são maravilhosas, mas muito mais caras. Como é algo que o bebê vai usar todo santo dia, pode ser que valha a pena o investimento, se for possível. E aqui entra a exceção à regra não comprar uma coisa gigante que deixa o bebê vestido de saco de batatas para que dure mais tempo. Já é um saco mesmo, compra um só, bom e quentinho para o inverno, de um tamanho grande e deixa o rebento ali. Veja apenas se a peça escolhida tem ajuste, daquelas que você pode diminuir o tamanho do buraco dos braços enquanto ele é menor, para evitar que ele se enfie inteiro lá dentro. Algumas permitem até que você regule o comprimento da parte em que ficam os pés. Enfim, é possível ter uma boa gigoteuse de inverno, acolchoada como um edredon e uma mais leve para as noites mais quentes. Mas essa nem é necessária, porque se você agasalhar o bebê o suficiente, ele pode dormir apenas de pijama e estará abrigado e confortável.
  • dentro do básico, já tem muita coisa, né? Por isso, e também pelo fato de que a maior parte dos presentes que você vai ganhar não são as roupas básicas, mas aquelas coisas lindas e sofisticadas, tipo roupa de festa, eu acho meio inútil sair comprando muita coisa sofisticada demais. Penso que o bebê deve, antes de tudo, estar confortável e coisas como vestidinhos, sapatos, laços na cabeça e afins servem apenas para a gente brincar de boneca, porque deixam os pequenos altamente incomodados. Existem roupas básicas e confortáveis muito bonitas, coloridas e alegres, que deixam seu bebê uma graça. Aliás, ele estará sempre lindinho e gracioso de qualquer jeito, não se preocupe. Assim, penso que é um certo desperdício gastar com vestidos, por exemplo. Minha pequena praticamente nunca usou nenhum vestido enquanto era recém nascida. Foi começar a colocar vestido lá pelos quatro meses e, ainda assim, apenas aqueles bem leves e confortáveis, molinhos, nada daquelas coisas cheia de laço, de pano, de fita e de coisas que deixam os bebês estressados, com calor e chorando. O mesmo vale para calça jeans e blazer em meninos bebês. Eita coisa incômoda, judiação! É claro, um vestido lindo para uma festa, ou para o ano novo, é muito legal. Não é necessário, mas é fofo. Especialmente se você fica de olho na criança e troca a roupa dela por algo mais macio e gostoso assim que ela começa a se irritar.
  • o mesmo, a meu ver, vale para os sapatos. Bebê não precisa de sapato, não serve para nada e ainda atrapalha os movimentos que ele está tentando descobrir como fazer. Coloque um sapato no seu bebê e veja como isso dificulta para que ele consiga bater um pé no outro, ou puxar o pé para a boca, ou apoiar o pé no chão para tentar se empurrar. Ah, mas ele precisa acostumar! Ele vai se acostumar, não se preocupe. Quando ele começar a andar você começa a cuidar de acostumá-lo aos sapatos. Até lá, pode deixar os pezinhos livres, pois o bebê precisa deles para testar as superfícies, o equilíbrio do corpo e os apoios. Se eu pudesse, deixava minha filha descalça o tempo todo. Como com o frio não dá (os pés dela ficam bem gelados no inverno, mesmo dentro de casa e ela começa a espirrar), eu deixo ela apenas com o tecido do pijama ou da calça cobrindo o pé, ou de uma meia, quando a calça não tem pé. E, sempre que vou trocá-la ou depois do banho, deixo-a um bom tempo brincando com os pés. Para fazer uma graça, claro, vale botar um sapatinho no dia em que coloca o vestido de festa. Mas o que vale para um vale para o outro: pouco tempo e sem insistir e estressar o bebê com isso. Não é confortável, eles não gostam, eles se irritam, incomoda. Só nós, adultos, é que gostamos. Então, na categoria das roupas inúteis e do desperdício de dinheiro, incluo roupas de festa, sapatos, laços e lacinhos de cabeça (os laços pequenos, a bebê pode engolir, é um perigo)…
  • e aquelas malfadadas luvinhas de algodão que as pessoas colocam para o bebê não se arranhar com as unhas. Gente, do mesmo jeito que a criança precisa poder usar os pés, ela precisa ter as mãos livres para aprender a pegar, sentir o mundo em volta dela e até para sentir o próprio corpo. Colocar luvas em um bebê é impedir uma parte super importante das experiências que ele é capaz de ter, ainda mais logo que nasce, quando não enxerga praticamente nada e só pode confiar nos cheiros e sons que sente e naquilo que começa a aprender a tocar. O toque é fundamental para um bebê. Melhor investir em um cortador de unha e aprender a cortar a unha do pequeno, com muito cuidado, porque é uma das coisas mais chatas e difíceis de se fazer do que ficar cobrindo as mãozinhas dele. Cobrir mão de bebê, a meu ver, só quando está um frio do cão e você tem que sair com ele vestido de astronauta e, ainda por cima, apenas pelo tempo em que estão ao ar livre.
  • por fim, outra inutilidade: babador. Não sei como vai ser quando minha pequena começar a comer sólidos mas, até agora, com quase seis meses, babador é algo que ela NUNCA usou. Não vejo muito sentido em ter mais um pano amarrado no pescoço dela para tirar ela do sério e, além disso, nunca vi vômito, baba ou regurgitada de bebê obedecerem à minha vontade e irem cair apenas na área que o babador protege. Sinceramente, bebês babam, vomitam, espirram, soltam cracas de todos os tipos e devem cuspir leite ou comida em algum momento. E isso tudo só vai cair em cima de um babador se você ficar puxando o babador para tentar alcançar a meleca da vez. O que significa: puxar o babador junto com o pescoço do bebê onde ele está amarrado. O que significa bebê resmungando e meleca caindo ali onde o babador não alcança. E você vai acabar tendo que trocar a roupa do mesmo jeito, se for uma meleca muito grande. E ainda vai ter que trocar de babador. Eu acho mais vantagem investir em ter toneladas e toneladas de paninhos de boca e fraldas de pano. Eles servem para tudo e mais um pouco, servem para forrar o trocador, servem para forrar qualquer lugar onde você vai ter que colocar o bebê, em qualquer lugar que vá, servem para proteger do sol ou de um ventinho eventual, servem para limpar meleca, secar meleca, secar bumbum, limpar baba, passar na roupa vomitada… enfim… paninhos são o grande coringa da maternidade, hehehe.

Bom, no próximo post escrevo sobre os móveis e outros objetos de primeira utilidade e inutilidade. Abraços e boa preparação de enxoval.