Quarto e último post de dicas…

… de compras para mamães e bebês na França. Série que eu havia começado nessa intro geral, passando pelas roupas e pelos móveis, carrinho e meios de portagem do bebê. Mas, como ficaram faltando algumas coisas que eu poderia compartilhar com vocês sobre o que tem sido útil ou inútil nesses primeiros tempos de maternidade em termos de produtos, objetos e afins, demorou mais trago aqui o que espero seja o final da lista. Por enquanto.

Vamos a ela, no melhor estilo miscelânea:

  • No quesito fraldas, pois não temos como escapar delas, a não ser que a gente tope fazer algo no estilo Elimination Communication, vamos ter que escolher como lidar com a questão cocô-xixi-bebê. Não apenas não dei conta de fazer o EC, por achar que seria mais uma coisa de grandes dimensões com a qual lidar no início tão conturbado da maternidade, quando o que mais se necessita é sossego e que as coisas caminhem o mais facilmente possível (quem sabe mais para frente, ainda não desisti, porque a idéia é muito boa e simples, se for pensar bem), como também não dei conta de usar fralda lavável. Eu sei, eu sei, estou agindo diretamente contra o meio ambiente que gostaria de preservar para minha filha. No entanto, achei uma boa solução de compromisso com as fraldas descartáveis ecológicas. São algumas marcas que produzem fraldas com menos produtos químicos que agridem a pele do bebê e, ainda, com menos produtos que agridam o ambiente, sendo quase que totalmente biodegradáveis. Bom, já dá um alento, não? Testamos aqui três marcas: Naty Nature Babycare, Moltex e Wiona. Fico com a primeira, excelente. A Moltex também é muito boa, mas achei espessa demais (todas essas fraldas ecológicas serão mais espessas que as comuns porque não têm toneladas de produtos químicos e gel para transformar as cacas do bebê em sei lá o quê, por isso, precisam contar com camadas a mais, ok?). A Wiona, se você não ajusta milimetricamente as laterais, vaza que é uma beleza. E a gente não tem tempo de ficar ajustando laterais como um obssessivo compulsivo quando o bebê está mexendo para todo lado, né? Então, Naty tem sido a fralda por aqui.
  • Personal disclaimer: nunca fiz estoque de fraldas e acho que não precisa. As residências são minúsculas na França, ao menos em Paris. Imagina ficar estocando fralda? Não dá e é o tipo de coisa que você pode comprar assim que o último pacote for aberto. Mesmo comprando pela internet, no caso das fraldas ecológicas, você encomenda em um dia e está na sua casa no dia seguinte. Fora que estocar fralda faz com que você perca uma montanha de pacotes. Não tem como saber quanto tempo seu bebê vai usar RN, 1, 2, 3… Como dica, eu diria para, antes dele nascer, comprar dois pacotes do tamanho de recém nascido e dois do tamanho 1. Porque se o rebento for grande, é capaz de nem usar RN. E vai repondo conforme for acabando. Chá de fraldas, por aqui, só para quem tem muito espaço.
  • Em tempo, um ótimo site para comprar as tais fraldas ecológicas, já que apenas a Naty você encontra de vez em quando nos supermercados, é o Bébé-au-naturel. Os preços são bons, a entrega é muito rápida, vira e mexe tem descontos e promoções e eles vendem, além de fraldas, tudo quanto é produto natural ou bio ligado à maternidade. Inclusive aquele chá da mamãe da Weleda, que aqui chama tisane allaitement e que recomendo muito para todas as que precisem aumentar a produção.
  • Aproveitando carona do quesito amamentação, para aquelas que precisarem tirar o leite, por questão de trabalho ou o que quer que seja, recomendo uma bomba manual da Avent com a qual me adaptei muito bem. Concordo com quem me disse que bomba de tirar leite tem que ser simples e tem que dar para fazer com uma mão só porque, para algumas de nós, facilita na hora de tirar o leite se o bebê estiver mamando no outro peito. Essa bomba tem um bom preço, é fácil de montar e de usar e tem um kit em que já vem os potes para armazenamento, que você tampa e coloca na geladeira. Sem bisfenol A, aquele composto do plástico que é tóxico. Do kit, diria apenas para jogar fora o bico de mamadeira que você pode acoplar no pote de armazenamento e já dar o leite ali mesmo para o bebê. Acho que é melhor oferecer o leite no copinho, na colher ou, até, na mamadeira colher da Medela, por exemplo. Mas esse é o tipo de coisa que é possível comprar depois, quando surgir a necessidade.
  • ainda nesse assunto, bico de silicone, concha e toda essa parafernália não apenas são inúteis mas, ainda, atrapalham a amamentação (o bico de silicone) ou trazem risco de fungos e bactérias, como as tais conchas ou os absorventes para seios. Os seios têm que ficar arejados, secos e limpos, não úmidos e abafados. Das dicas salvadoras que recebi durante esse período, uma das mais importantes foi essa de deixar essas tralhas de lado, pois trazem mais problemas do que benefícios. Absorvente para seios, eu usei apenas em momentos de sair para fora de casa e, ainda assim, somente no começo, quando os seios realmente podem vazar muito (com o tempo, a produção regula com a necessidade do bebê e os seios praticamente não vazam). Nada de passar o dia com eles.
  • e aqueles cremes cicatrizantes, para o caso de fissuras ou machucados, tipo Lansinoh? Olha, comigo funcionou muito bem em momentos críticos, mas tem dois poréns que pouca gente vai te dizer. O primeiro é que não faz sentido algum usar esse tipo de creme ou qualquer outro tipo de produto no seio de forma preventiva. Seu seio é preparado pelo seu corpo e pela sucção do bebê, não precisa de mais nada. Nada de bucha, de estropiar o coitado, deixa ele sossegado ali que a natureza cuida do resto. O segundo porém é que passar esse tipo de creme de lanolina após cada mamada – como chegaram a me orientar – pode ser um tiro no pé. Porque esses cremes são super gordurosos e ficam na pele. E a pele do seu seio fica bem escorregadia. Junta isso com um bebê recém nascido que ainda não sabe pegar direito e que fica escorregando a boca e você poderá ter muito mais trabalho em ajustar a mamada. Ou seja, um produto que deveria te ajudar, mas que pode fazer a boca do seu pequeno escorregar, pegar errado, machucar ainda mais seu seio e dificultar muito mais para o pobre bebê faminto. Melhor usar apenas em casos críticos, né? Ou então passar o bom e velho leite materno mesmo nos bicos rachados, pois nosso leite tem alto poder de cicatrização.
  • o mesmo vale para os famigerados soutiens de amamentação. A menos que você tenha seios enormes, que fiquem ainda mais gigantescos com a amamentação, e precise de um suporte, uma sustentação para se sentir mais confortável, te digo: esses trambolhos só servem para atrapalhar. Pensa comigo: o bebê está com fome. Ele resmunga, chora, se irrita. Você levanta a blusa, baixa o soutien, isso quando conseguir encontrar o fecho que permite baixá-lo, claro, arranca o tal absorvente da frente, embola tudo isso num canto e, nesse ponto, o bebê já está mega estressado. Daí tenta aproximar ele do seu seio para fazer a pega correta com aquele monte de pano ali embolado, dificultando que vocês achem uma posição confortável. Se ainda tiver uma bela camada de creme de lanolina então… é a glória. Gente, não tem como funcionar, entende? É o seguinte: o peito vai cair, não tem soutien que segure. Vai cair mesmo que você não tenha filhos ou não amamente. Peito cai. Peito de quem amamenta cai também. Faz parte. Para quem se incomoda com isso, sugiro que guarde o dinheiro de toda essa porcariada para fazer plástica depois.
  • em tempo, ainda nesse quesito, havia me esquecido de um item super importante, que ficou tão incorporado na rotina que até me esqueci que faz parte do enxoval e só agora lembrei e voltei para editar o post. É a almofada de amamentação. Pode ser um travesseiro, uma almofada comum, ou uma daquelas específicas para amamentação, como essa maravilhosa da Boppy que herdamos da minha irmã e do meu sobrinho. Você amamenta uma vez meio desajeitada, noutra com os ombros encolhidos, noutra com as costas tortas, noutra sem apoio e, no final de um dia, dois, uma semana, um mês… você está arrebentada. Amamentamos de oito a doze vezes por dia e o bebê cresce, ganha peso e começa a pesar no braço. Então, tudo o que puder deixar essa experiência o mais confortável possível merece ser utilizado. Além disso, a mesma almofada de amamentação quebrou um galho durante o fina da gravidez quando, versátil, servia de apoio para a barriga na hora de dormir de lado. Foi o único modo de conseguir uma posição para dormir durante cerca de um mês… ou seja, essa almofadinha é salvadora.
  • por outro lado, no campo dos produtos de higiene para o bebê, por aqui nos demos muito bem com os produtos da Mustela. No Brasil eles custam uma fortuna, mas aqui são vendidos em qualquer farmácia por preços totalmente abordáveis. Os géis de banho, para corpo e cabelos são ótimos e práticos, assim como as barras de sabonete. O creme para a troca de fraldas também, funciona maravilhosamente quando começam vermelhões ou assaduras. Quando não tem nada disso, recomendo o liniment oléo-calcaire deles, dica boa de auxiliar de puericultura da maternidade. Aqui não se coloca uma camada de pomada para assaduras a cada troca de fralda a menos que o bebê tenha assaduras. Parece lógico, né? Eu, como sempre achei esquisita aquela crosta branca permanente em bumbum de bebê, gostei muito desse liniment, que é como um creme à base de óleo de oliva, bem gorduroso, que faz uma camada de proteção sem ficar grudento. Você pode investir em um frasco de liniment, outro de creme para assaduras e mais um gel de banho ou sabonete e, com isso, tem um belo kit básico para o bebê. Creme hidratante só usamos agora no frio, quando a pele fica mais ressecada como acontece com todos nós, mas não foi artigo de primeira necessidade. Protetor solar também, apenas quando fomos encarar o verão brazuca. Mas, ainda assim, preferi investir mais em chapéus que em cremes protetores para a pequena, porque pele de bebê é super sensível e ficar besuntando de produtos químicos assim logo de cara me pareceu um pouco demais. Pelo mesmo motivo, perfumes ou colônias para bebê é algo que me pareceu totalmente descabido. Bebê tem um cheiro delicioso, nada mais desnecessário que perfume para bebê (sim, tem isso aqui e os franceses parecem achar que é um ótimo presente, pois a pequena ganhou 3!!!).
  • ainda nesse tópico, de todas as coisas que vêm em um estojo de produtos de higiene para bebê, usamos apenas o cortador de unhas, a escova de cabelo e o termômetro. Aquele limpador de nariz fica pegando pó, já li que pode até machucar o nariz do bebê e, ainda por cima, aqui qualquer profissional de saúde vai te orientar a limpar o nariz do pequeno com soro fisiológico. Sempre. Nada de enfiar cotonete, limpador de nariz, limpador elétrico de nariz (sério, gente, como pode?), é soro fisiológico e pronto. E olha que resolve.
  • para as mamães, a Mustela também tem produtos maravilhosos. Um creme anti-estrias para passar ao redor dos seios, na barriga e nas coxas que foi meu companheiro por nove meses e deixou minha pele intacta e um creme de hidratação profunda para todo o corpo que também funcionou maravilhosamente. Acho que foram as melhores aquisições que fiz para mim durante a gravidez.
  • ainda para as mamães, além dos produtos de beleza, do chá da mamãe e dos famigerados soutiens, penso que no maravilhoso mundo da maternália não pode faltar uma calça jeans de grávida. Esse é o único item de roupa que eu achei fundamental ter comprado. Blusas largas, regatas, vestidinhos com corte capaz de acolher um barrigão… tudo isso foi possível encontrar em qualquer loja de qualquer marca por aqui. Coisas para usar antes, durante e depois. Mas a calça foi fudnamental. Porque chega uma hora que não dá mais para colocar alargador de fecho de calça. Nem deixar a dita cuja aberta mesmo. E não tem nada mais desconfortável do que roupa apertando o barrigão grande, é horrível. Então, se tiver que comprar uma única peça de roupa, invista na tal calça. Mesmo que não vá usar depois.
  • para tudo aquilo que pode ser comprado usado, recomendo o site leboncoin. Importante lembrar que aqui na França não existe nenhum preconceito contra comprar usados, não é coisa de pobre, nem nenhum desses preconceitos bregas de novo rico que a gente adora proferir na nossa terrinha, apenas coisa de gente que tenta consumir com menos desperdício. Enfim, no leboncoin você encontra de apartamento para alugar a gente vendendo tudo o que você puder imaginar. Inclusive artigos de bebê. Penso que para coisas que usamos tão pouco e que são reaproveitáveis e resistentes como berço, mobiliário de quarto, trocador, carrinho e afins, pode-se fazer excelentes negócios.
  • bom e barato você encontra também no Monoprix. Sim, o supermercado tem uma linha de roupas de boa qualidade a bons preços. Assim como a Hema. E a H&M, como me lembraram noutro post (obrigada!). E a Baby Gap, Vertbaudet e The essential one.
  • cadeirão, colheres, pratinhos, recipientes térmicos e afins? O bebê só vai começar a se preocupar com isso aos seis meses. Você pode fazer o mesmo.
  • brinquedos? Bom, a menos que você faça absoluta questão de dar um brinquedo específico para seu bebê, melhor economizar porque a maioria das pessoas vai dar brinquedos de presente. E está aí uma coisa que se acumula mais rapidamente do que os pequenos têm a capacidade de brincar e de realmente aproveitar cada uma daquelas coisinhas. Brinquedos, tapete de atividades, cadeiras, transats, móbiles com luz, música, barulhos… não sei não, mas começa a ficar um excesso de estímulos infernal, que muitas vezes mais estressa do que diverte. Bebês nascem mal conseguindo enxergar um palmo na frente do nariz, não vai adiantar colocá-los frente a um monte de brinquedos barulhentos, coloridos ou o que quer que seja. Leva um tempo até eles começarem a se interessar em olhar ao redor. E o que é bonito de ver é exatamente que o que parece atrair são luzes, sombras, movimentos, cores fortes… Não precisa correr com brinquedos, nem acumular uma montanha. Menos fraldas e menos brinquedos nesse mundo dos bebês, por favor!!!

Boas compras e, principalmente, boa maternidade. Se quiser saber o que é o mais importante providenciar para o bebê que vai nascer eu te digo, com toda seriedade e verdade, que não é nada disso que comentei ao longo desses posts. O mais importante a ser preparado é um lugar na vida dos pais para esse bebê, é preparar o coração para as mudanças e para as surpresas. E preparar-se para parir, para amamentar, para o corpo e a alma funcionarem, trabalharem em prol daquele pequeno que vai chegar. Todo o resto é supérfluo. E mais vale passar nove meses se preparando para esse acontecimento do que fazendo compras, arrumando quarto e outras distrações que, ainda que agradáveis, nunca vão dar conta do essencial.

Boa sorte nesse preparo de si, mamães!

Terceira parte das dicas de compras…

… para bebês e mamães aqui na França. Depois da intro geral e das roupas, vamos aos móveis e outros objetos do enxoval do bebê.

  • berço: essa é uma discussão mais de fundo, porque a importância do berço tem a ver com como você pretende criar seu bebê, especialmente no começo. Pretende fazer cama compartilhada? Então, um berço é o maior desperdício de dinheiro que você vai ter. Pretende deixar o pequenino dormindo ali do seu lado? Novamente, será um desperdício comprar um berço. Vai ficar pegando poeira, juntamente com tudo o mais do tal quartinho do bebê, que todo mundo diz que a gente tem que fazer mas que, na verdade, serve apenas para nosso exercício de vaidade ou de decoração. Sei que têm muitos pais que tentam e até deixam o bebê no seu próprio quarto desde o início. Mas além de não ser o melhor para o bebê, que fica totalmente desamparado naquele lugar solitário e silencioso, depois de ter passado nove meses aconchegado e quentinho na nossa barriga barulhenta, também não é o melhor para a mãe, especialmente aquela que amamenta e que vai ter que levantar dez mil vezes à noite, andar até o quarto, sentar em uma poltrona para amamentar e depois tentar voltar a dormir antes que o bebê acorde para outra mamada. OK, pode ser bonitinho, mas é zero em praticidade essa história de quarto do bebê. Além do mais, que mãe não fica com sono leve e querendo checar se o bebê está bem? A exaustão dos primeiros meses me fez perceber que cama compartilhada ou berço ao lado da cama, no quarto do casal, são muito mais adaptados para a realidade de ter um recém-nascido. Gastei dinheiro num belo quartinho de bebê todo mobiliado à toa. Penso que esse gasto vai fazer sentido bem mais tarde, quando o pequeno for capaz de dormir sozinho, o que pode levar um bom tempo. E, se forem anos, ele vai passar direto da sua cama para uma cama dele, o que torna o tal berço ainda mais obsoleto.
  • se não for berço e nem cama compartilhada, o que, então? Aqui, usamos muito uma excelente nacelle, aquele moisés de bebê que se usa no carrinho quando ele é recém-nascido e ainda não fica sentado. A nossa era essa aqui, da marca Bébéconfort de que gosto muito. Até agora, foi o que valeu outro investimento inútil e caro, que é o tal carrinho de bebê (falo disso já já). Enfim, a pequena dormiu abrigada e confortável ali até seus 4 meses. Foi MUITO melhor do que tentar colocá-la no berço gigante em que ela ficava perdida, mesmo envolta pela gigoteuse. Fora que melhorou demais para mim também a qualidade do descanso à noite, já que era apenas o caso de tirá-la da nacelle, deitá-la na cama e amamentar deitada, praticamente dormindo. E ainda, no caso de precisar transportá-la de carro, é um moisés adaptado a esse uso. A pequena vai deitada – o que eu particularmente achei bem melhor do que ir sentada, escorregando até virar um tatu-bola, porque bebê pequeno é todo molinho e não consegue se ajeitar naqueles bebês confortos de jeito nenhum. O pescoço vira pro lado, a cabeça cai para a frente e você tem que ficar fazendo mil manobras para o pobrezinho conseguir viajar com o mínimo de conforto. Então, nacelle para dormir e para transportar. Viva!
  • outra opção que achei muito boa e prática foi o que eles chamam de lit de voyage, aqueles berços desmontáveis um pouco menores que um berço comum. Usamos este aqui, da Chicco, que é caro, mas excelente. Fácil de montar e de desmontar, o colchão é muito bom, não daqueles super finos que se encontram normalmente nesses berços. Além disso, ele é mais alto, o que faz diferença especialmente no inverno, quando outros berços portáteis colocam o bebê praticamente encostado no chão. E daí, não tem jeito, o pequeno pega toda a friagem que sobe dali… nada bom isso. De todo modo, é importante ter em conta que esse tipo de berço é para um bebê até cerca de seis meses, ou quando eles aprendem a ficar sentados sozinhos, pois a partir daí, como eles não são muito fundos, ficam perigosos, como as nacelles.
  • mais uma opção, que dura bem mais tempo do que o moisés e o berço de viagem é o que eles chamam de lit parapluie, que também é um berço desmontável, mas justamente daqueles maiores, em que o bebê fica lá no fundo do berço, quase no chão. Se você tem tapete no seu quarto ou algum meio de proteger o rebento da friagem (estou parecendo uma avó com essa história de friagem, né?) ou se seu pequeno nasce no verão, acho que é o melhor investimento a fazer. Melhor que os outros dois porque dura mais tempo, melhor do que um berço comum que vai ficar te aporrinhando num quarto sem uso, esse ao menos pode ficar do lado da sua cama e pode ir para qualquer casa de sogra ou de mãe, quando a família viajar. O melhor que minha filha já usou, justamente em uma dessas andanças em terras brasilis, foi um da marca Burigotto, que não vende aqui, mas vende no Brasil.
  • trocador: a table à langer, a meu ver, não é essencial. Mas também não é um desperdício. A gente acaba trocando o bebê em mil lugares diferentes, na cama, no sofá, no tapete, nas cadeiras do restaurante (não perguntem, por favor…) e fazemos isso mil vezes por dia. O que significa que, para as nossas costas, um trocador na altura adequada é uma MARAVILHA. Então, o que eu diria é que, se der para gastar com isso, vá em frente. Nós usamos esse aqui, da marca Sauthon, que é bem sólida e duradoura em termos de móveis de bebê. Fora que todos se transformam em outra coisa, berço que vira cama, trocador que vira banco, o que ameniza um pouco os gastos, pois serão usados mais tempo.
  • banheira: eu diria que vale o mesmo que para o trocador. É totalmente possível dar banho em um bebê no chuveiro – ainda que eu sempre fique com aquela aflição de que o bichinho vai escorregar – ou mesmo na banheira normal da casa. Mas ter uma banheirinha com pé, que coloca o pequeno naquela altura ótima para poupar seu lombo combalido de um milhão de “abaixa-levanta” diários é bem, bem bom.
  • carrinho de bebê: de novo, merece discussão. O carrinho aqui tem enfeitado a sala, depois que parou de servir como berço para a pequena. Nada mais. Eu não uso o carrinho para transportar minha filha. Por quê? Primeiro, porque Paris é uma péssima cidade para grávidas e mães de bebês de colo. Tem escada demais e gente solidária de menos. O pior pesadelo de uma mãe é ter que carregar bebê e carrinho nas intermináveis escadarias do metrô parisiense e a maior parte das estações não possuem elevador. O que eu faço, então? Portagem. Além de resolver problemas práticos como esse, penso que é a melhor maneira de transportar um bebê. Lugar de bebê, como já disse anteriormente, é no colo. Bebê precisa do contato com a mãe, do calor, do cheiro, do coração batendo. E a mãe precisa ter uma certa mobilidade para transportar seu rebento. Nossas antepassadas e nossas atuais latinas, asiáticas e africanas sabem das coisas: bebê no colo é mais tranquilo, tem menos cólica, chora bem menos e mais um monte de benefícios que eu, entre outras pessoas, já enumerei. Fora que é tão mais prático.
  • então, se for se aventurar no maravilhoso mundo da portagem, aqui nos adaptamos muito bem ao sling de pano e não muito ao sling de argola. A pequena se adaptou bem também ao canguru, mas vale lembrar que, se for investir em um deles, verifique sempre se é ergonômico, fisiológico, ou seja, se permite ao bebê ser carregado na posição correta, que é com os joelhos na altura dos quadris. No quesito écharpe de portage, recomendo os wrap slings super bem feitos da Storchenwiege, uma marca alemã excelente, resistente e duradoura, ou os bem fresquinhos da Fil’Up francesa. Esses últimos cedem um pouco no tecido, mas são bem confortáveis para o verão, quando um tecido muito grosso pode incomodar um tanto, fazendo mãe e bebê transpirarem em bicas. No caso da opção ser o canguru, a melhor opção que encontrei foi a Ergobaby. Bebê fica ótima ali dentro… e descobri noutro dia que até a Gisele usa…
  • mamadeiras e chupetas: aqui nem é caso de ser necessário ou inútil, mas sim caso de comprar algo que é contraproducente e joga contra você. Meu conselho mais sincero, se você pretende amamentar, é NÃO, NÃO e NÃO. Eu ganhei de presente e nunca usei. E concordo com quem diz que ter essas porcarias em casa só serve para te desanimar e te deixar mais insegura quanto à sua real capacidade de alimentar o seu filho. Eu cheguei até a comprar uma lata de leite em pó, por orientação de uma pediatra que não entende nada de amamentação. Guardo a dita cuja junto com mamadeiras e chupetas, tudo fechado, como um troféu e dou uma olhada nelas sempre que preciso reunir forças para fazer frente a esse mundo desinformado que insiste em afirmar que não faz diferença dar leite materno ou em pó para um bebê. Faz. E enfiar uma chupeta no meio disso tudo ainda ajuda mais a confundir o bebê, que aprende a pegar chupeta e mamadeira e passa a ter mais e mais dificuldade em pegar o seio. Tenho escrito muito sobre isso e indico muitas outras leituras a respeito ao longo do blog e proponho que cada mãe se informe realmente a respeito de mamadeiras e chupetas antes de tomar uma decisão. E, te garanto que se você precisar mesmo, mesmo, mesmo de mamadeira e leite em pó, pode mandar o maridão em qualquer farmácia que ele encontra. Na França, mamadeiras e leite em pó ficam expostos nas vitrines das farmácias, então, nenhuma dúvida de que o lobby da indústria do leite em pó vai muito bem por aqui, obrigada e que seu rebento não vai passar fome. E quanto à chupeta, melhor ler ao menos isso aqui antes de decidir.

Sigo com as dicas de um pouco de tudo no próximo post, para finalizar, ok?