A publicidade e a informação

Tenho uma página do blog no Facebook, onde publico coisas que leio sobre gravidez amamentação, parto, maternidade, infância que encontro pela web e me parecem interessantes. Ontem, publiquei uma matéria que apareceu em vários veículos de comunicação sobre a regulamentação de uma lei que proíbe a propaganda de todo tipo de produtos que podem interferir na amamentação: leite em pó, mamadeiras, chupetas e afins. Em resumo, para que a lei possa ser aplicada, essa regulamentação proíbe que tais produtos sejam objeto de propaganda em qualquer tipo de meio, que sejam associados com quaisquer personagens infantis ou outras imagens que induzam o consumo, que sejam distribuídos como brindes ou que façam parte de qualquer tipo de ato promocional e que tragam a informação em suas embalagens de que podem afetar o aleitamento. Uma medida louvável, se levarmos em consideração as estatísticas vergonhosas no que diz respeito ao aleitamento materno no Brasil, onde a média de tempo que se amamenta uma criança é de 54 dias (!!!).

E qual a relação disso com esses produtos? Toda, se considerarmos que aleitamento misto, mamadeira noturna, uso de chupeta e afins podem interferir na amamentação, criando confusão de bicos e uma maior dificuldade do bebê em estabelecer a pega correta. E que isso não é nunca dito claramente pelos pediatras e outros profissionais que indicam o uso da mamadeira por qualquer motivo que seja a uma mãe, o que não dá a elas todos os elementos para que tomem uma decisão informada sobre amamentação. E, obviamente, isso aparece menos ainda nas campanhas publicitárias desses produtos que, ao contrário, insistem em divulgar idéias mentirosas, como a de que leite materno e leite em pó são a mesma coisa (dê uma olhada nessa tabela comparativa em inglês), ou que certas mamadeiras e chupetas seriam o equivalente do seio materno, ou que seriam concebidas de maneira “ergonômica”, para não prejudicar amamentação, desenvolvimento da arcada dentária e dos músculos faciais, postura e tudo o mais que sabemos que mamadeiras e chupetas prejudicam sim. Enfim, se essas publicidades prestam um desserviço em geral, apresentando idéias equivocadas como sendo verdades, imagina o estrago que elas não provocam nas mães que encontram dificuldades em amamentar?

Sabemos que o sucesso da amamentação depende muito do entorno, da rede de apoio que essa mãe e seu bebê encontram para darem conta de instaurar esse equilíbrio delicado que amamentar exige. Depende muito do apoio da família, dos amigos, dos conhecidos com seus comentários tantas vezes desastrosos. Depende imensamente também daquilo que as “figuras de autoridade” vão dizer a essa mulher que quer e busca amamentar, se saberão orientá-la corretamente ou se lhe darão informações desencontradas, erradas e que terminarão contribuindo para que ela se veja em uma bola de neve que torne o aleitamento impossível. Proibir a propaganda é incidir sobre o lado mais perverso desse mecanismo que dificulta, deturpa ou impede o aleitamento materno: o lado que vê na amamentação uma oportunidade de mercado, de lucro e de incentivo ao consumo. E apenas isso.

Uma das coisas que mais me chocou em alguns comentários que esse post recebeu na página do facebook foram algumas pessoas argumentando que essa proibição as privaria de informação sobre as alternativas ao aleitamento materno, constrangendo-as a amamentar e dificultando o acesso a esses produtos. Como se proibir publicidade fosse uma sonegação de informação e um atentado à liberdade delas de escolha.

Como assim? Tem gente que pensa seriamente que publicidade traz informação sobre alguma coisa? Tem gente que se informa através dos meios publicitários? Tem gente que decide sobre como alimentar seu filho vendo propaganda? Putz!

Sim, tem. E meu espanto é muito mais estranho do que essa constatação. É evidente que tem gente que se acredita que se informa e que toma suas decisões, mesmo as mais importantes, baseada em argumentos publicitários. Isso apenas prova o quanto a publicidade é eficaz e bem sucedida em seus objetivos. Ela consegue se fazer passar pelo que não é: um argumento de venda disfarçado de informação. Tão eficaz que as pessoas acreditam que se a publicidade dos produtos relacionados à amamentação forem proibidas, elas não terão como saber que eles existem, nem como saber de suas qualidades, de seus benefícios e de seus efeitos. E, com isso, não poderão comprá-los. Gente, isso é ou não é um exemplo gritante da perversidade desse mercado que, apoiado pela publicidade, faz mulheres acreditarem que o que eles fazem é ajudá-las de alguma maneira?

A meu ver, a questão do leite em pó é muito próxima da questão da cesariana: duas opções criadas pelo desenvolvimento tecnológico a situações de dificuldades reais que foram apropriadas por uma lógica de consumo que vende às mulheres uma idéia de que isso seria o exercício de uma escolha, além de um progresso, um avanço nas maneiras de vir ao mundo e de alimentar um bebê que trariam muito mais vantagens do que aquilo que existe desde que a espécie humana existe. No caso da cesariana, um real risco de vida para a mãe e para o bebê ligados ao parto normal e no caso da amamentação, uma real impossibilidade de alimentar o bebê. Duas opções que surgiram para resolver reais e graves problemas deturpadas por uma ambição da indústria que se construiu em torno delas de conseguir o máximo de lucro possível na medida em que elas se tornem um comércio. Comércio de partos, comércio de alimentos. Com tudo o que implica a idéia de comercializar: ganhar dinheiro com isso, por todos os meios possíveis. E sem nenhum constrangimento em falsear a verdade ou em atacar a concorrência. Porque o importante não é informar. O importante não é ajudar ninguém. O importante é ganhar todo o dinheiro possível com isso.

Amiga querida, não se preocupe. Se você está indignada por não poder mais ver a propaganda de leite em pó na televisão no intervalo do desenho animado dos seus filhos, isso não vai te impedir de comprar esse leite no supermercado da esquina. O comércio desses produtos não vai parar porque a propaganda vai parar de existir. Mas veja direito de onde é que você tirou a idéia de que esses produtos são os melhores para você e para o seu filho. Pois, se foi de uma propaganda, posso te garantir que ela não foi feita nesse intuito de te ajudar a escolher o melhor. A propaganda desses produtos, assim como qualquer propaganda do que quer que seja, não se preocupa com você. Nem comigo. Nem com ninguém. Ela apenas sabe muito bem encontrar nossos pontos fracos e nos manipular para acreditarmos exatamente nisso que você está dizendo que acredita: que elas querem seu bem e estão te dizendo como você deve fazer para tê-lo.

Se essa proibição contribuir para que menos manipulação mascarada de informação sobre a amamentação circule e que, com isso, as mulheres tenham que buscar orientação sobre o aleitamento em outro lugar, sem ser bombardeadas por um monte de imagens, brindes e frases de efeito completamente equivocadas. E se isso puder ajudar aquelas que querem amamentar a encontrarem os caminhos para isso, já terá sido um enorme passo na valorização e na viabilização do aleitamento materno.

  • Em tempo: na discussão no facebook uma pessoa colocou um problema bastante pertinente em relação a essa lei, que dificultaria o acesso à informação sobre esses mesmos produtos, especialmente no que diz respeito ao leite em pó, o que acabaria prejudicando as mulheres que precisam fazer uso dele. Um caso que parece que a lei não contemplou. Ela me disse que vai sintetizar um pouco seus argumentos e depois eu publico por aqui. De todo modo, obrigada à Claudia Eirado pelo contraponto interessante (vocês podem acompanhar a discussão pelo post do facebook, se quiserem).
  • Em tempo 2: um dos melhores projetos de mães contra os usos e abusos da publicidade infantil é este aqui. Acompanhe as discussões do site e apoie, se para você também essa história de transformar nossos filhos em pequenos e demandantes consumidores for algo a ser evitado.

    Fim da publicidade para produtos que prejudicam na amamentação. Já não era sem tempo.

    Posted by Barriga de bebê: o que as mães não dizem. on Tuesday, November 3, 2015

Algumas confissões após seis meses de amamentação…

Amamentar…

… é como passar no vestibular, ou chegar na reta final de uma corrida, ou realizar um projeto importante. Enfim, um pouco disso tudo, só que totalmente diferente, porque amamentar não é uma prova de conhecimentos que te permite se sair bem apenas por estar bem informada, nem uma prova de habilidades físicas, que te permite conseguir por ter preparado seu corpo, nem tampouco uma competição com outras mães para ver quem amamenta mais e melhor e, menos ainda, um projeto do qual se dê conta sozinha.

Logo que a pequena nasceu, talvez como a maioria das mulheres, eu contava com a natureza e com a naturalidade da amamentação para garantir que tudo desse certo. Sabe essa história de que está nos genes e, portanto, basta deixar por conta deles que tudo se resolve? Pois bem, não é exatamente assim. Não sei se para todas as mulheres mas, pelo que vejo das queixas e das dores de tanta gente, para a grande maioria amamentar não é algo natural, instintivo e dado. Ou melhor, não do modo como concebemos algo que deveria ser natural e instintivo como dado.

Fato é que, desde que engravidamos, na medida em que tenhamos o desejo de uma gravidez, um parto e uma maternidade mais conscientes, apropriados, singulares e humanizados, vamos nos dando conta de que começa um longo e árduo trajeto de batalhas cotidianas. Sei que existem pessoas que se preparam antes e, ao engravidarem, já têm em mente com muita clareza o que querem e como querem mas, se a sua experiência for como a minha, possivelmente somos pessoas que vamos pensando conforme acontece e tentamos elaborar e entender o que queremos conforme cada situação nova se impõe. O que significa que temos que elaborar muita coisa em um tempo determinado e, ainda por cima, agira de acordo, no caso de uma gravidez, de um plano de parto ou da maternidade dos inícios da vida de nossos filhos. Não dá para ficar “esperando Godot” naquela reflexão punhetante que dura o quanto tiver que durar e nos vemos pressionadas e coletarmos informações, pensarmos e agirmos com prazo. Tarefa angustiante para uma psicanalista, sempre mergulhada no caldo das livres associações e dos tempos do inconsciente mas, nessa vida, há situações e momentos que pedem uma certa agilidade. Enfim…

Então, grávida, você descobre que precisa batalhar para viver sua gravidez com tranquilidade, sem muitas interferências, sem terrorismo e sem excesso de intervenções. Mais ainda, descobre que terá que lutar para ter um parto digno, humano, acolhedor para você e para seu bebê que chega. E que terá que brigar para ser bem tratada e para que seu filho seja bem recebido neste mundo. Terminados gravidez e parto, começam outras sagas e uma delas – ou a mais intensa delas, a meu ver – é a da amamentação. Porque você contou com a natureza ao longo da gravidez, aprendeu a confiar que seu corpo poderia abrigar bem uma vida ali dentro dele, aprendeu a não se sobressaltar, a não se inquietar com riscos e a escutar seu corpo e os sinais do bebê. Assim como você aprendeu a contar com essa mesma natureza na hora de parir, acreditando ainda uma vez que seu corpo saberia trazer seu filho ao mundo e, principalmente, que esse pequeno saberia vir ao mundo por seus próprios meios e no seu tempo. Então, como é que na hora em que começam os cuidados com o bebê essa tal de natureza não funciona assim tão bem?

Penso que temos uma idéia meio equivocada do que seja confiar na natureza, no instinto, no corpo e na sabedoria dele. Parece que isso significa que podemos relaxar e deixar tudo por conta de uma força que nos é alheia e que nada mais precisa ser feito, apenas estar entregue. Será que é mesmo isso?

Tenho minhas dúvidas. Pois se uma grande capacidade de entrega e de desconhecimento ajuda muito nesses momentos viscerais da existência, o fato de sermos nós, mulheres do século XXI, marcadas pela ciência, pela razão, pelo pensamento, pela lógica faz com que, feliz ou infelizmente, não possamos nos dar ao luxo de uma total inconsciência daquilo que vivemos nesses momentos em que a natureza tem que tomar a dianteira. Quero dizer que ficamos numa condição paradoxal de precisar se aproximar dessas experiências do jeito que somos capazes hoje em dia, ou seja, de um jeito super mediado, cheio de racionalizações, de conhecimentos, de falas, de idéias e assim por diante e, ao mesmo tempo, poder deixar tudo isso em segundo plano, a cabeça descansando em standby enquanto o corpo trabalha. Difícil, não?

Fato é que não vivemos mais gravidez, parto e maternidade como nossas avós e bisavós viviam. Não estamos mais cercadas de pessoas que pariram seus filhos, não escutamos mais suas histórias, dificilmente teremos visto um parto na vida antes do dia de viver o parto de nossos próprios filhos, assim como raramente teremos estado na companhia cotidiana de mães e seus bebês pequenos, acompanhando os cuidados e a amamentação dedicados a eles. Todas essas situações que faziam parte da vida mais banal de nossas avós, bisavós e antes delas, pelo simples fato das famílias serem grandes, das pessoas conviverem de perto com seus familiares de muitas gerações e, principalmente, do cuidado das crianças ser compartilhado entre muitas pessoas, inclusive no que diz respeito à gravidez, parto e puerpério, quando as mulheres mais experientes se encarregavam de cuidar e orientar as mais novas, bem… todo esse jeito de entender e de lidar com a maternidade deixou de existir. Ao menos para nós, mulheres ocidentais burguesas vivendo em certos cantos ditos desenvolvidos desse mundo. E, se não convivemos mais com grávidas, parturientes e mães, e se não as acompanhamos mais nesses momentos, como esperar que tenhamos de onde tirar esse conhecimento visceral que deveria agir nessas horas?

Então, na hora de contar com a natureza para amamentar, a “porca torce o rabo” e percebemos, muitas de nós, que nisso também haverá luta, esforço, batalha, busca de informação, ajuda, orientações desencontradas, violências e desrespeito. E nisso também teremos que fazer face a muitos desafios, muitas opiniões desencorajadoras, muita pressão. E muita insegurança. Ou seja, quando você acha que acabou o mais difícil e que agora pode relaxar e curtir a cria, a coisa está apenas começando.

Assim, muitos perrengues e desencontros depois, foi com muito orgulho e emoção que constatei nossa chegada aos seis meses de amamentação exclusiva. Emoção e gratidão, especialmente à minha filha, que foi quem me ensinou a amamentar. Eis aqui o grande segredo, a meu ver, dessa tal de amamentação e que ninguém conta porque pouca gente sabe: mesmo que nós, as mães, adultas, estejamos muito marcadas por toda a nossa história e nossa experiência de distanciamento de nós mesmas, de nossos corpos e de nossas potências enquanto mulheres parideiras e nutrizes, nossos bebês recém-nascidos sabem. Sabem muito mais que a gente, porque mais conectados ou menos perdidos. Então, se dermos um crédito a esses pequenos e tentarmos escutá-los, respeitá-los e seguir um pouco os ritmos e as demandas deles, muita coisa pode funcionar de um jeito surpreendente.

Claro que não é mágica. O bebê também aprende a mamar, ao mesmo tempo que aprendemos a amamentar. Ele aprende a pegar o seio, a sugar eficientemente. Mas ele tem, como nós também, todos os instrumentos para isso. Basta uma ajudinha ou outra no começo e uma boa dose de paciência que o sujeitinho faz o resto. Basta ouvi-lo, atendê-lo em suas demandas pelo seio, deixá-lo experimentar, ajustar com ele posições, buscar um conforto para ambos. Uma das coisas que aprendi, que parece tão simples de tão evidente, mas que quase me passa desapercebida, é que não se trata de você. Amamentar (como parir) não se trata de você. Não é um projeto seu, uma decisão sua, algo que diz respeito ao seu corpo, ao seu desejo e blábláblá. São dois, percebe? Você e o bebê. Existem duas pessoas aí, dois seres, dois corpos, dois desejos, duas existências que precisam se encontrar e entrar em alguma espécie de acordo sobre como viver tudo isso de uma maneira que seja boa para ambos. E de onde saiam ambos alimentados e felizes.

E, não, esse não é o fim dessa história. Ainda teremos amamentação pelo tempo que a pequerrucha precisar e eu puder. E temos introdução alimentar. Mas isso é outra saga, conto depois.

Outros textos sobre amamentação: aqui.

Amamentação: o que tem…

… e o que não tem funcionado. Para minha filha e eu, claro. Porque a singularidade dos envolvidos nesse ato certamente há de influenciar naquilo que dá certo ou não. Feita a ressalva, vamos em frente.

Acho que posso resumir em duas palavras aquilo que tem funcionado conosco: livre demanda.

No começo da amamentação, recebi as orientações mais desencontradas possíveis… E se tivesse persistido por um longo tempo nelas, certamente teria complicado ainda mais um começo tão delicado. Ou, talvez, até inviabilizado a amamentação. Então, vou falar sobre como descobrimos a duras penas o que é livre demanda através de tudo aquilo que não funcionou, ok?

Amamentar a cada 3 horas, por exemplo. Por que não funciona? Você come com hora marcada e em intervalos regulares? Pois é. E por conta desse intervalo imposto tinha choro que eu achava que não podia ser fome e ficava tentando enrolar – outra sugestão totalmente furada. E por que não dá certo enrolar e tentar seguir os horários? Porque o bebê fica chorando, com fome, estressado, pode até dormir um tempinho de cansaço e logo em seguida volta a chorar, mais estressado ainda. E quanto mais se perpetua esse ciclo, mais difícil de acalmá-lo. Uma tortura para ambos. O bichinho chorou ou começou a te cheirar, fazer boquinha, mamar o ar, a mão, o braço de quem está com ele no colo? Fome. Peito. Pronto.

Oferecer cada peito por 5 minutos, ou por 15 minutos, ou por x minutos quaisquer. Por que não funciona? Porque cada um tem seu ritmo para comer, não? Imagina se te dissessem que você deve comer em 5 minutos? Você engoliria tudo para passar mal depois? Ou seria arrancado da mesa e ficaria com fome até a refeição seguinte?Chegaram ao ponto de me orientar que x minutos era pouco, uma meia hora era bom e mais do que isso ela estaria perdendo, pelo esforço, tudo o que ganhou com a mamada. OK, então você pega um cronômetro, senta para amamentar seu bebê e reza para ele passar do ponto em que terá mamado pouco mas não ultrapassar a marca do perde tudo. Diga, alguém se alimenta assim? Penso que essa história de inventar tempo para amamentar é ranço de quem gosta mesmo é de uma mamadeirinha, onde a gente coloca uma quantidade determinada e o rebento que se vire para engolir o tanto que é o certo. Daí, basta tirar a média de tempo que os bebês levam para tomar a tal quantidade ideal e… voilà! Mamãe que amamenta só precisa que seu rebentinho siga a média. Mas como peito não é mamadeira e nem transparente para a gente calcular quanto o bebê está ingerindo, o que além de deixá-lo mamar quando precisar e pelo tempo que quiser poderia garantir uma quantidade suficiente? Nada. Então, peitos pra que te quero! Na hora em que o sujeitinho largar o peito, isso quer dizer que acabou.

Outra orientação capciosa é a que tenta cercar o número de mamadas… amamentar 8 vezes, 10, 12… Se não há como controlar pelo intervalo entre mamadas, nem por sua duração, vamos tentar pela quantidade, né? Por que não funciona? Justamente porque essa quantidade não se espalha de modo uniforme pelas 24 horas. E não significa que o bebê mama a mesma quantidade a intervalos regulares. Então, o que ela garante? Nada. Percebi que esse número varia de tempos em tempos, nos picos de crescimento, em dias mais tranquilos ou mais agitados… Ficava maluca pensando que ela não tinha mamado as dez vezes. O que fazer? Acordar? Enfiar o peito na boca? Fazer mamar à força? O bebê sabe mais do que nós sobre quando sente fome, melhor confiar nele.

E quanto a essa de acordar, tanto quando passa das tais lendárias três horas de intervalo quanto quando o bebê mamou por poucos minutos? Também tentei. Carinho na cabecinha, mexer na mãozinha, trocar a fralda… Não deixar o bebê dormir enquanto não tiver mamado o suficiente. Mas quanto é o suficiente? E caímos novamente nas medidas, nas médias, nas arbitrariedades que não dizem nada. Minha bebê não estava nem aí, afastava a minha mão e dormia. Mamar cansa, e muito. Não só a mãe, mas o bebê também. Principalmente no começo, quando eles ainda não sabem fazer isso muito bem juntos. Repare no rostinho do bebê mamando. Tudo mexe, todos os músculos. É um baita exercício e um esforço enorme até o sujeitinho virar craque. Então, tem horas que tem mesmo que dar um cochilo e recomeçar logo mais. Sim, isso atrapalha o sono da gente, que quer mais é que os pequenos mamem logo, tanto quanto possível, o mais rápido possível, para a gente poder dormir um pouco. Que desespero. Mas aporrinhar o sono do seu bebê não vai resolver isso, porque ele pode mamar demais e soltar tudo depois. Ou acordar, se irritar e chorar porque está exausto e precisa dormir. Melhor deixar o pequeno em paz e resolver o cansaço de outra maneira. O que vai resolver? O tempo, o bebê começar a espaçar as mamadas na medida em que vai se tornando expert nisso e consegue o máximo de leite, sem se exaurir, podendo fazer outras coisas com o tempo e a energia que lhe sobram como… dormir!

Então vem uma das minhas orientações prediletas: dá uma mamadeirona que ela dorme a noite inteira. Por que não funciona? Eu tenho apenas um comentário: foie gras. Sabe o foie gras, aquela iguaria francesa de fígado de ganso? Sabe como é feito? Os franceses descobriram que os gansos gordos tinham fígados gordos e um pouco inflamados e que isso era DE-LI-CI-O-SO. E tiveram a brilhante idéia de forçar os tais gansos a comer, para que eles ficassem mais gordos, com fígados mais inflamados e que tivesse mais foie gras pra galera. Essa alimentação forçada tem um nome aqui: a gavage, que fez com que eu deixasse de comer a iguaria, assim como muitas outras pessoas. Então, sempre que ouço essa historinha de dar uma mamadeirona para a minha filha ficar entupida de leite artificial e precisar passar horas dormindo para digerir algo que é muito mais indigesto que o leite materno, lembro da gavage. Por que não funciona? Pois é, parece até que funciona, mas eu pessoalmente não estou a fim de garantir minhas horas de sono a esse preço. Prefiro esperar o tempo da minha bebê alcançar essas noites dormidas por meio de seu próprio desenvolvimento.

Existem inúmeras pesquisas comprovando que a introdução da mamadeira (bem como da chupeta, por sinal) causa confusão de bicos e pode favorecer um desmame precoce. Então, se a mamadeira entope eficazmente e a chupeta acalma eficazmente, penso que o preço que se paga por essas eficácias não vale o benefício. No nosso caso. Não me interessa acalmar a todo custo ou sobrealimentar minha bebê e arriscar, com isso, a amamentação. Porque o leite materno é o melhor alimento para o começo de vida de um bebê humano. E porque a relação que se constrói a partir desse cotidiano de amamentação é de extrema importância. Para ambos.

Putz, mas isso quer dizer que eu tenho que ficar ali, à disposição? Pois é, amamentar exige mesmo essa disponibilidade de estar por conta do tempo do outro. E me parece que essa é uma das maiores dificuldades do nosso tempo: estar para o outro e não para si mesmo, priorizar um outro. Esse tempo de amamentação exclusiva é tão curto. E essa dedicação não é um fardo, se você pode encará-la como um prazer e vivê-la com a surpresa das descobertas. Surpreender-se quanto ao que você pode oferecer. Ser mamífera é uma constatação espantosa para nós, mulheres ocidentais burguesas do século XXI. Surpreender-se também quanto ao que seu bebê comunica. Conhecê-lo, criar proximidade, trocar afeto. Tantas coisas lindas acontecem ao longo dos primeiros seis meses, muitas das quais enquanto amamentamos. Será que vale arriscar tudo isso por uma necessidade de controle?

Correndo atrás de seguir receita de bolo de como dar de mamar, quase botei tudo a perder pois o que descobri, a duras penas, é que essas regras de ritmos, intervalos e duração das mamadas só servem para deixar as mães tensas. Anotar o horário das mamadas, o tempo de duração, procurar nos números alguma regularidade, uma luz, algum padrão em um momento inicial em que tudo é ensaio, tudo é improviso, tudo é descoberta? Não funciona. Ficar de olho no relógio e nos números não faz com que o bebê comece a se enquadrar neles. Pois, a única coisa que tais procedimentos almejam – como todos os outros que mencionei até agora – é o controle.

Saber, com certeza, quanto o bebê come, como se isso pudesse garantir a 100% seu bem estar, sua saúde ou – medida das medidas – seu peso. Peso virou sinônimo de saúde e controlando o peso acredita-se estar controlando e garantindo a saúde do bebê. E, como a amamentação escapa a esse controle das mamadeiras, dos horários e das quantidades, tenta-se fazer com que ela funcione do mesmo modo e segundo os mesmos parâmetros do aleitamento artificial. Estipulando intervalos, tempos e ritmos, nossos “orientadores”, e nós mesmas, acreditamos que estamos garantindo alguma coisa. Mas… não funciona. Não funciona, esse é um controle que está nas mãos – e no estômago – do bebê. Ele é o único que pode saber, com certeza, se e quando tem fome. E de quanto leite precisa. Aprendi a confiar na minha filha. Se ela está reclamando para mamar é porque tem fome e/ou precisa sugar. E ambas necessidades são válidas.

Amamentar em livre demanda é, a meu ver, um gesto de respeito ao pequeno ser que acaba de chegar ao mundo. Sinaliza que estamos ali, disponíveis, para acompanhá-lo e descobrir com ele como cuidar de suas necessidades. É algo muito bom para se oferecer a alguém que faz transbordar nosso peito de amor, não?

O que aprendi sobre a amamentação…

… até agora. (ou: uma resposta a um certo post de uma certa blogueira em uma certa revista que, de tão medíocres, não merecem nem ser citados, a não ser como instigadores de respostas boas)

Digamos que ele é como um ser vivo, extremamente delicado e sensível ao entorno, o ato de amamentar. Quer dizer, é algo poroso, que se contagia de tudo que o cerca – e que nos cerca, mãe e bebê. Ambiente ruim, gente dizendo coisas desencontradas, falas sobre leite fraco, pouco leite, baixo ganho de peso… tudo isso pesa, influencia, mexe no tênue equilíbrio que exige o amamentar. Aprendi que, sem apoio e – pior ainda – com gente próxima ou distante falando contra, duvidando, criticando, persistir na amamentação é quase que um ato de heroísmo.

Antigamente, até bem poucas décadas atrás, contávamos com a sabedoria dos mais velhos. Mulheres pariam cercadas de mulheres, mulheres criavam seus filhos entre outras mulheres, mulheres amamentavam sob os olhos cuidadosos de outras mulheres. Mulheres mais experientes estavam sempre por perto, cuidando daquilo que elas sabiam muito bem por experiência própria: conceber, gestar, parir, amamentar, cuidar… Ninguém ficava sozinha, sem cuidado e sem orientação numa hora dessas. Em alguns cantos do nosso mundo, ainda existe essa rede de cuidados. Mas, infelizmente para nós, mulheres do mundo ocidental capitalista, o discurso da experiência e da rede de apoio foi desacreditado em nome de um saber médico / técnico e científico que saberia e poderia mais sobre a maternidade. E – coisa estranha – nós mesmas compramos esse discurso que, na medida em que tirava o saber da experiência de nossas avós, mães e tias, o tirava também de nós. E ficamos sozinhas e ignorantes, todo esse saber depositado nas mãos de um outro: a medicina, a ciência, a indústria. São essas as companhias que temos, hoje em dia, para gestar, parir e alimentar nossos filhos. Então, quando eles dizem que nosso corpo é falho e que não somos mais capazes de fazermos o que sempre fizemos, na falta de uma rede de apoio e de cuidado que nos ajude a contestar essa nossa pretensa incapacidade, capitulamos. Fragilizadas, aceitamos justificativas duvidosas para todo tipo de intervenção. E não parimos mais. E não amamentamos mais. E acreditamos que é assim mesmo, que é “normal”. E nos confortamos na idéia de que dar mamadeira não é tão mal assim. Não é tão mal assim quando realmente se necessita. Como uma cesariana pode ser uma benção quando realmente se necessita. Mas na medida em que ficamos sozinhas e destituídas de qualquer poder frente aos donos desse poder que servem, prioritariamente, a outros interesses opostos e conflitantes com o bem-estar da mãe e do bebê, como saber quando é que realmente se necessita? Aprendi que, hoje em dia, nosso esforço é muito maior em encontrar uma rede de apoio e de acolhimento que faça as vezes da “voz da experiência” de nossas mães, avós, bisavós e afins. Ela pode estar na internet, no encontro com outras mães, no trabalho das doulas e das enfermeiras obstetrizes, na existência de consultoras de lactação… há substitutos possíveis. Mas há que se buscar ativamente essas outras vozes discordantes que te ajudem realmente a poder amamentar.

Nada de natural existe nisso. Amamentar é natural. Tão natural como parir. Mas acontece que nós, humanos no século XXI, passamos por tantas mediações em nossa formação como humanos que estamos muito, mas muito distanciados de nossa natureza. Então, não adianta ouvir dizer que é algo instintivo e acreditar que isso significa que você vai chegar lá, na hora H, e vai conseguir fazer, tomada e possuída pela força das suas próprias entranhas. Até pode ser que seja assim. Mas pode ser também que as suas entranhas fiquem submetidas à sua razão, ao seu pensamento, ao seu medo e a tudo aquilo que acostumamos a priorizar em nossas existências mais cotidianas. Se baseamos toda a nossa vida em conhecimentos, informações, pensamentos lógicos e  afins – ou, ao menos, se acreditamos que é assim que vivemos e que fazemos escolhas – o que faria com que, na hora de parir e de amamentar pudéssemos conseguir reverter toda essa racionalidade que rege nossa experiência e nos abandonarmos ao desconhecido, confiando apenas em nossa intuição e em nossa sabedoria ancestral? Aprendi que para poder acessar essa sabedoria ancestral e poder se abandonar nessas horas em que o abandono é necessário – e quanta entrega é necessária para amamentar! – precisamos justamente jogar com todas as armas que temos a favor disso. Informação, pesquisa, conversas, preparo do corpo… tudo, todas as ferramentas podem e devem ser usadas. Ficar sentada no sofá esperando que algo em você faça todo o serviço é pedir para dar errado. Porque do mesmo modo que ali dentro das entranhas existe um instinto capaz de fazer parir, de fazer amamentar e tudo o mais, também existe o medo, as dúvidas… E quem vai ganhar nesse jogo de forças? Melhor botar todas as chances do lado que você deseja, não?

Até mesmo porque, vira e mexe precisamos discutir com os outros. Ou, ao menos, ter bons argumentos que nos fortaleçam na hora em que nos dizem para dar complemento por baixo ganho de peso ou coisas afins. Precisamos saber que bebês são diferentes, que muitos perdem peso ou ganham pouco no início e que cada qual encontra seu ritmo de mamar e de ganhar peso. E que não é apenas a curva de peso que conta na hora de avaliar o estado de saúde de um bebê. Muitos outros fatores contam. Aprendi que, se o bebê vai bem, o ritmo com o qual ele ganha peso é apenas mais um dado daquela singularidade que ele é.

Aliás, até mesmo quando a preguiça ou a ignorância falam mais alto e o médico decide avaliar seu filho apenas pelo ganho de peso – quando ele deveria é estar fazendo um belo de um exame clínico bem geral e abrangente que incluísse até mesmo informações sobre o estado da mãe e uma observação da mamada com vistas a orientar em caso de dificuldade – são poucos os que sabem interpretar que “normal” é todo o bebê que está dentro da curva, seguindo o seu desenho. Da parte mais baixa à mais alta, tudo é “normal”. Ou seja, mesmo que seu bebê não ganhe um quilo por mês e não fique explodindo de dobrinhas, está na curva, está “normal”. Aprendi a interpretar curvas de crescimento e mais um tanto de coisas que me fariam uma PhD no assunto. Como a maioria das mães que conheço que precisam brigar para poder amamentar.

Aqui na França, amamentação passou muitas décadas fora de moda. Condenada mesmo como um fardo para as mulheres. E só voltou a ser levada em consideração, segundo me explicaram, quando foi associada à diminuição do câncer de mama. Veja só: que seja o melhor e mais completo alimento para seu bebê, isso não foi argumento suficiente para as francesas, que só reabilitaram esse ato “primitivo” quando foi aventado algum benefício para elas. Digo isso apenas para dar uma idéia da mentalidade que circula por aqui. Assim, quando fui com uma amiga no simpático Le Poussette Café noutro dia, que estava lotado de pequenos e grandes rebentos, eu era a única mulher amamentando. Todas as outras pessoas sacavam suas mamadeiras de suas sacolas cedo ou tarde. Ou seja, essa história de que amamentar está na moda é um argumento bem perverso de quem prefere ignorar a realidade e se deixar levar por discursos pré-fabricados justamente para desviar daquilo que um simples olhar pode constatar no dia-a-dia: a maior parte das mulheres não amamenta. Não quer, não pode, não sei. Mas não amamenta. E causa surpresa que uma entre elas tire o peito para fora e dê de mamar à sua bebê. Surpresa discreta porque os franceses são educados demais em sua grande maioria para praguejar contra o “politicamente correto” em voz alta. Fora os caras de mente tortuosa que ficam te encarando com olhos nada generosos, num país onde o topless na praia é permitido, vai entender… Mas isso é outra conversa. A questão, aqui, é a predominância do leite artificial e da mamadeira em todos os lugares por onde circulam pimpolhos franceses e suas mães. Isso porque, nas maternidades francesas, há um incentivo quase excessivo por parte de enfermeiras, sage-femmes e auxiliares de puericultura para que as mães amamentem. Mas basta ter alta e sair para o mundo e você vai topar com muitos profissionais de saúde tentados a te indicar leite artificial na primeira consulta. Assim como seus amigos, sua família, e todas as francesas que vão sempre te dizer que você não é obrigada a amamentar. Aprendi que, para amamentar, você tem que ter uma firmeza de intenções e uma clareza a toda prova. Porque será posta à prova o tempo todo.

E leva tempo! Como leva tempo! Quando dizem que existe um tempo de adaptação entre você e o bebê para que a amamentação entre em um certo piloto automático em que ela funciona bem, você pensa que esse tempo é o tempo até sair da maternidade, ou o tempo de alguns dias. Mas podem ser semanas. Ou meses. Cada bebê é um e cada mãe é uma e o tempo que cada qual vai precisar varia muito. Mas é sempre um bom tempo. E aprendi que quanto menos pressa temos, melhor e mais rápido a coisa engrena. Porque basta ficar tomada por aquela urgência estalando no peito para o bebê se inquietar. E bebê inquieto não mama bem, não descansa enquanto mama, não se apazigua com uma mãe botando pilha ali do lado. Do mesmo jeito que menos é mais para muitas coisas na vida, acho que na amamentação mais lento vai mais rápido do que ter pressa.

Pega, posição correta, tantas posições para amamentar… livre demanda, uma atenção aos sinais do bebê, às suas necessidades. Aprendi que o bebê sabe mais sobre mamar do que nós. Não apenas porque tem um reflexo de sucção, já que isso sozinho não garante nada, uma vez que tem a mãe ali do outro lado e o pequeno vai ter que se entender com ela para poder sugar e garantir que o leite do qual precisa seja produzido. Então, a mãe tem que confiar que o pequeno sabe quando tem fome, sabe quando precisa mamar, sabe onde lhe aperta o calo e quando precisa de aconchego, de calor, de companhia, de abrigo… e de leite. Se nos disponibilizarmos a atender essas demandas de nossos bebês, a amamentação transcorre de um jeito bem mais sossegado para ambos.

Não é um jogo de forças, você irritada porque sabe como tem que ser (um peito, outro peito, tanto tempo, a cada tantas horas, uma determinada quantidade) versus um bebê irritado porque precisa se encaixar em um ritmo que não é o dele e que ele ignora totalmente. Se você se aborrece porque não está funcionando, imagina o que ele sente ao ser alimentado quando e como você quer e não como ele precisa? Aprendi que amamentar é encontro, um encontro de duas pessoas que mal se conhecem e que precisam uma da outra de um modo muito íntimo. E que precisam se entender falando línguas desconhecidas um para o outro. Ou seja, um encontro quase impossível, a não ser que cada qual confie no outro e na sua capacidade de estar ali e de dar conta. Sem essa disponibilidade, amamentar vira um martírio. O que é uma pena, pois pode ser tão prazeroso, tão bonito como são todos os encontros de alma, os encontros verdadeiros e profundos.

Fico de coração partido a cada vez que ouço alguma história de alguém que parou de amamentar e passou à mamadeira. Por má informação, por falta de informação, por pressão dos outros, por falta de apoio… ou seja, por todos os motivos “errados”. Tenho uma amiga cujos olhos se enchem de lágrimas a cada vez que ela conta como se sentiu aterrorizada com a perspectiva de que a filha estivesse passando fome e passou ao leite artificial. Conheço uma outra que, a cada vez que me vê amamentando conta com tristeza como, mesmo sendo seu segundo filho e tendo amamentado a primeira, acreditou nas palavras do pediatra sobre pouco leite e baixo peso e passou à mamadeira. E o quanto se arrepende de ter ouvido a ele e não a si mesma. Por que nos despossuímos assim?

Tem um texto lindo da Anne Rammi do Super Duper sobre amamentação em que ela começa escrevendo sobre o que nós mulheres perdemos quando renunciamos sem motivos realmente impeditivos a essa experiência. Ela posta uma foto e fala de um olhar, um olhar do bebê que mama e que é só para a mãe. É esse encontro de almas do qual escrevi há pouco. Um bebê te olha no fundo da alma e faz teu coração revirar do avesso, de tanto sentimento que pode carregar em um mero olhar. E isso não acontece no comecinho, também leva um tempo, é a recompensa a ambos pelo trabalho bem feito. E esse olhar vem um dia. Por um instante todo o cansaço, as dificuldades, os conflitos passam. Parece piegas e parece mágica e, no entanto, acontece. É o tal encontro. Será que não vale o esforço?

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